Tenho pensado bastante neste dias de "guerra" no Rio e ouvido um pouco de tudo.
De várias pessoas ouvi coisas como: " a polícia tem que entrar lá e acabar com eles"; "se eles te pegam não têm piedade"; "tem que impedir a rede Globo de entrar lá dentro e aproveitar prá dizimar todos eles"; "lembra o que fizeram com o garoto João Hélio?"; "direitos humanos é só para bandido, a população não tem direitos".
De fato, acompanhando hoje pela TV a entrada no complexo do Alemão, parecia, em geral, uma sensação de alívio, quase uma euforia, pela presença do Estado e de suas forças de segurança assumindo o controle do local.
Por outro lado ouvi uma socióloga que foi responsável pelo complexo prisional anos atrás afirmando que se os tratarmos como monstros poderemos esperar realmente que ajam como monstros. Hoje pelo rádio ouvi outra socióloga num apelo patético afirmando que deveria ter havido mais negociação, por exemplo, através de líderes comunitários ou dos pastores que visitam as favelas ou de políticos com penetração nestes ambientes, para que fosse negociada uma rendição dos traficantes.
Enfim, analisar toda esta situação é muito complexo, pois são várias as possiveis abordagens. É possível, porém, tocar alguns pontos, consciente da limitação destas considerações:
1) A situação que vivenciamos chegou realmente a um ponto insuportável para a população. Os antigos contraventores que tinham sua principal fonte de renda em jogos ou apostas clandestinos, mas "tolerados" pelas autoridades, foram migrando para atividades mais rentáveis para eles e mais violentas, principalmente o contrabando e o tráfico de drogas e armas, além de outros crimes.
2) A população mais pobre, em geral habitando em morros em situações muito precárias, não oferecia muitas opções para uma vida digna para seus jovens; de fato, uma parte deles, sonhando em ganhar muito dinheiro, poder, mulheres e coisas prometidas pelo tráfico acabou entrando nesta rota sem saída ou com uma saída vislumbrada no curto prazo: a morte, tanto pela polícia como por outros bandidos. Importante frisar que a grande parte dos maradores destes locais se tornou refém dos traficantes, procurando se equilibrar na corda bamba, visando sua sobrevivência.
3) Por outro lado, o consumo de drogas se espalhou em todos os estratos da população, envolvendo não só pessoas comuns, mas também pessoas da elite.
4) A mídia tem uma parte importante neste processo, na medida em que estimula exacerbadamente o consumo e a ostentação, induzindo a uma crença falsa de que: riqueza = felicidade. Podemos imaginar o conflito interno e externo de pessoas desempregadas ou ganhando salário de fome que não vêem nenhuma perspectiva de melhora.
5) Importante também ressaltar a existência de uma polícia mal paga, mal preparada, que facilitou que uma parte dela se envolvesse com extorsões e achaques, visando dinheiro fácil. O filme Tropa de Elite mostra isso muito bem; corrupção que envolve membros das tropas e até figuras de destaque. Nos últimos anos vimos aparecer no Rio uma instituição a margem da lei, mas com contornos diferentes, a chamada "milícia", envolvendo cabos, soldados, ex-militares e até políticos que praticam extorsões e outros crimes.
5) As autoridades tentaram responder com leis mais rígidas, porém sempre tratando o usuário de drogas como "doente" que merece outro tipo de tratamento.
Enfim, uma situação que chegou numa encruzilhada. Aparentemente, traficantes que perderam poder e dinheiro com as UPPs implantadas em alguns pontos do Rio começaram a implantar terror, principalmente através do recurso de assaltos e de atear fogo a veículos e ônibus. Com a população amedrontada as autoridades se sentiram constrangidas a tomar medidas mais enérgicas, que resultaram na ação de tomada dos morros no entorno da Penha. Para isto tiveram um apoio efetivo das tropas de segurança federal e forças armadas.
O que dizer disto tudo? O futuro dirá, porém penso que devemos evitar a postura do "Olho por olho" ou a vingança pura e simples. Uma ação de curto prazo como esta terá que ser seguida por várias ações de longo prazo, oferecendo segurança e alternativas de uma existência digna para os ocupantes das favelas e para os marginalizados.
Certamente quem cometeu crimes deve pagar por eles, mas a sociedade, principalmente os detentores de poder, as autoridades, devem buscar saídas para oferecer esperança à esta população sofrida.
Ficam ainda sérias questões que se não forem enfrentadas podem frustrar as espectativas de pacificação da sociedade. Por exemplo: descrimilizar o uso de drogas e oficializar seu consumo? como tratar os usuários? e a questão do sistema prisional, que não consegue recuperar os presos? Não adianta trancá-los e esquecê-los; um dia eles sairão. Como re-integrá-los? é possível a recuperação?
Existem ainda questões sérias como o tráfico internacional, a recuperação moral da polícia, com salários mais dignos que iniba o caminho fácil da corrupção, a melhora da sociedade como um todo, pois a violência não é exclusiva do assunto drogas.
Acredito que um dos pontos que envolve a todos nós e no qual podemos fazer algo é o cuidado e a recuperação da família. Que ela possa re-encontrar sua importância e seu lugar primordial na sociedade. Estudiosos mostram como uma sociedade sadia necessita de famílias sadias. Chiara Lubich afirmou, muitos anos atrás, que se a sociedade fracassou se deve também ao fracasso das famílias. Que a família possa reconquistar seu lugar de geradora de paz, de filhos amados e bem educados, são um desejo ardente que brota no meu coração e, tenho certeza, no de muitas outras pessoas.
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
RH - uma instituição ambígua
Trabalhar no RH após meu curso de administração se tornou um objetivo, face à identificação que eu tive com o assunto. Bem mais tarde, já trabalhando nessa área descobri minha ingenuidade.
A área de RH é muito atraente, pois enuncia como um de seus principais objetivos atrair e reter talentos. Na prática constatei que essa área carrega um fardo pesado: embora procure difundir essa imagem é constrangida a adotar o discurso da alta administração da cia, obviamente encobrindo seus aspectos negativos. Por exemplo: negociando condições de trabalho pouco condizantes com seu objetivo, implantando uma política de remuneração variada que acaba por beneficiar uns poucos e frustrando uma grande maioria que não é contemplada, etc.
Domingo ouvi uma entrevista pela CBN: a presidente da ABRH afirmou que a legislação prejudica a mulher, pois ao implantar uma licença maternidade de 6 meses acaba por prejudicar a profissional, que após esse tempo está totalmente defasada do mercado e de suas mudanças, que são rápidas. Ela falou de mães que após um mês estão ansiosas por voltar ao trabalho para não ficarem para trás. Não é uma beleza????
Ela afirmava que estas são características da "geração y", ou seja, pessoas nascidas após 1980 e que são integradas às novas tecnologias de comunicação. Obviamente isto se refere a um nível de pessoas com melhor poder aquisitivo e maior nível escolar, muitas vezes com pós, mestrado, doutorado...Provavelmente quem não tem esta condição está condenado à um trabalho (se tiver) de segunda ou terceira classe, tendo que se sujeitar ao que resta no mercado ou a postos de baixo poder aquisitivo.
Pois bem: talvez (na visão desta senhora) a ciência deveria descobrir um meio de desenvolver e emancipar a criança mais rápido, libertando a mulher deste tipo de inconveniente.
Eu pergunto: estamos evoluindo ou involuindo? Afinal a tecnologia deveria estar a serviço do ser humano e não para escravizá-lo.
Penso que é urgente o RH repensar seus propósitos e suas práticas: por um lado, adota de vez o discurso da administração e para de dissimular ou, por outro lado, procura, de verdade, influenciá-la para que se mantenha alinhada com seus valores, mesmo correndo o risco do desgaste de contrariar seus gestores ou donos.
Quem já não ouviu esta frase tão sintomática: "já vi este filme", o quer dizer: isto é blá, blá, blá.
Só que esta atitude é muito difícil. A hierarquia, principalmente nos países de lingua latina, é muito forte e não admite contrariar os donos do poder. Lembram-se do ditado: "manda quem pode e obedece quem tem juizo"???
Ele permanece muito atual, apesar de todo uma pensamento evoluído que os gurus de RH procuram mostrar. Procurem ler algum livro de Roberto DaMatta, Betânia Tanure ou outros autores que mostram qual é o estilo brasileiro de administrar: descobriremos que a possibilidade do RH influenciar é muito pequena, mas não impossível.
Empresas ligadas à Economia de Comunhão possuem uma filosofia de trabalho diferente onde o empregado é valorizado e colocado em primeiro plano. Certamente a área de RH dessas empresas têm condição de realizar um trabalho diferenciado.
A área de RH é muito atraente, pois enuncia como um de seus principais objetivos atrair e reter talentos. Na prática constatei que essa área carrega um fardo pesado: embora procure difundir essa imagem é constrangida a adotar o discurso da alta administração da cia, obviamente encobrindo seus aspectos negativos. Por exemplo: negociando condições de trabalho pouco condizantes com seu objetivo, implantando uma política de remuneração variada que acaba por beneficiar uns poucos e frustrando uma grande maioria que não é contemplada, etc.
Domingo ouvi uma entrevista pela CBN: a presidente da ABRH afirmou que a legislação prejudica a mulher, pois ao implantar uma licença maternidade de 6 meses acaba por prejudicar a profissional, que após esse tempo está totalmente defasada do mercado e de suas mudanças, que são rápidas. Ela falou de mães que após um mês estão ansiosas por voltar ao trabalho para não ficarem para trás. Não é uma beleza????
Ela afirmava que estas são características da "geração y", ou seja, pessoas nascidas após 1980 e que são integradas às novas tecnologias de comunicação. Obviamente isto se refere a um nível de pessoas com melhor poder aquisitivo e maior nível escolar, muitas vezes com pós, mestrado, doutorado...Provavelmente quem não tem esta condição está condenado à um trabalho (se tiver) de segunda ou terceira classe, tendo que se sujeitar ao que resta no mercado ou a postos de baixo poder aquisitivo.
Pois bem: talvez (na visão desta senhora) a ciência deveria descobrir um meio de desenvolver e emancipar a criança mais rápido, libertando a mulher deste tipo de inconveniente.
Eu pergunto: estamos evoluindo ou involuindo? Afinal a tecnologia deveria estar a serviço do ser humano e não para escravizá-lo.
Penso que é urgente o RH repensar seus propósitos e suas práticas: por um lado, adota de vez o discurso da administração e para de dissimular ou, por outro lado, procura, de verdade, influenciá-la para que se mantenha alinhada com seus valores, mesmo correndo o risco do desgaste de contrariar seus gestores ou donos.
Quem já não ouviu esta frase tão sintomática: "já vi este filme", o quer dizer: isto é blá, blá, blá.
Só que esta atitude é muito difícil. A hierarquia, principalmente nos países de lingua latina, é muito forte e não admite contrariar os donos do poder. Lembram-se do ditado: "manda quem pode e obedece quem tem juizo"???
Ele permanece muito atual, apesar de todo uma pensamento evoluído que os gurus de RH procuram mostrar. Procurem ler algum livro de Roberto DaMatta, Betânia Tanure ou outros autores que mostram qual é o estilo brasileiro de administrar: descobriremos que a possibilidade do RH influenciar é muito pequena, mas não impossível.
Empresas ligadas à Economia de Comunhão possuem uma filosofia de trabalho diferente onde o empregado é valorizado e colocado em primeiro plano. Certamente a área de RH dessas empresas têm condição de realizar um trabalho diferenciado.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A mídia e a ridicularização de pessoas
Li na revista Cidade Nova de agosto/2010 um artigo do Luis Henrique Marques - Mídia em pauta, com uma citação da jornalista Ana Cristina Hermano, chamando a atenção para a exposição e ridicularização de pessoas diferentes ou fora de padrões dos beleza convencionados socialmente, chegando até a explorar condições físicas como anões, desdentados, etc.
Também sou contra este tipo de programação da mídia usado como forma de atrair o público e melhorar seu índice no Ibope. Mas porque o prazer ou a curiosidade dos expectadores com tal exposição? Esse assunto é de tal forma complexo que merece uma análise.
Poderíamos dizer que o brasileiro, principalmente das camadas mais baixas, tem pouco estudo e prefere, por ignorância, tal tipo de programa; mas, vamos devagar; jovens de classe alta ou média alta também são atraídos por programas como Pânico na TV, por exemplo. Como explicar?
Obviamente não tenho a pretensão nem capacidade para fazer uma análise sociológica, mas posso tecer algumas considerações. O brasileiro, em geral, sempre gostou de programas tipo chanchada ou besteirol: os mais antigos lembram de Oscarito e Grande Otelo; depois artistas como Ronald Golias, Didi, Mussum, etc. Normalmente piadas simples e, principalmente, a gozação do outro: do parceiro, do vizinho, etc.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, afirma que a vida em sociedade é um constante processo de diferenciação: se sou diferente tenho a minha identidade e se sou diferente, sou melhor que o outro. Se eu zombo ou "gozo" do outro, me coloco numa relação como superior (sou diferente, eu não sou assim, não sou otário, obviamente estou em vantagem, como diria um famoso futebolista).
Existem também outros fatores como a curiosidade, mas a condição de se sentir superior ao outro é um fator interessante. Quem já assistiu ao Pânico na TV talvez se lembre que tinha um quadro que era as "sandálias da humildade", cujo objetivo era fazer com que algum personagem ilustre, arrrogante ou presunçoso, calçasse as sandálias, o que era comemorado efusivamente pelos atores Vesgo e Silvio. Provavelmente os telespectadores vibravam também com o feito (me lembro uma vez do Jô Soares). Este programa no início, apesar de algumas apelações, era criativo e tinha quadros interessantes, porém sempre na linha de zombar ou ridicularizar alguém.
Aos poucos o programa se tornou mais apelação, perdeu a criatividade e muitas pessoas não se interessaram mais em vê-lo.
Um famoso antropólogo brasileiro, Roberto DaMatta, faz um constraste entre a casa e a rua: a casa é o lugarde pessoas que me querem bem e em quem posso confiar, enquanto a rua é um lugar perigoso, tenho que estar alerta, é o lugar da concorrência, onde nao se pode confiar no outro. Talvez isto explique um pouco a situação: se o outro na TV, ou seja na "rua", é gozado, estou em situação de vantagem, estou em casa e posso rir a vontade do outro que está na "rua".
Bem, há muitas explicações possíveis e pode ser que alguns não concordem com meus argumentos. Há uma música do Chico Buarque muito bacana(seu pai, Sérgio Buarque, foi um escritor famoso brasileiro, que escreveu, por exemplo: "Raízes do Brasil", um clássico da literatura). Pois bem, o Chico fez uma canção com uma letra provocativa, que, acredito, mostra um pouco como o brasileiro é um tipo gozador, até consigo próprio.
Cassia Eller, numa interpretação magistral, canta "partido alto"... vale a pena ver
Também sou contra este tipo de programação da mídia usado como forma de atrair o público e melhorar seu índice no Ibope. Mas porque o prazer ou a curiosidade dos expectadores com tal exposição? Esse assunto é de tal forma complexo que merece uma análise.
Poderíamos dizer que o brasileiro, principalmente das camadas mais baixas, tem pouco estudo e prefere, por ignorância, tal tipo de programa; mas, vamos devagar; jovens de classe alta ou média alta também são atraídos por programas como Pânico na TV, por exemplo. Como explicar?
Obviamente não tenho a pretensão nem capacidade para fazer uma análise sociológica, mas posso tecer algumas considerações. O brasileiro, em geral, sempre gostou de programas tipo chanchada ou besteirol: os mais antigos lembram de Oscarito e Grande Otelo; depois artistas como Ronald Golias, Didi, Mussum, etc. Normalmente piadas simples e, principalmente, a gozação do outro: do parceiro, do vizinho, etc.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, afirma que a vida em sociedade é um constante processo de diferenciação: se sou diferente tenho a minha identidade e se sou diferente, sou melhor que o outro. Se eu zombo ou "gozo" do outro, me coloco numa relação como superior (sou diferente, eu não sou assim, não sou otário, obviamente estou em vantagem, como diria um famoso futebolista).
Existem também outros fatores como a curiosidade, mas a condição de se sentir superior ao outro é um fator interessante. Quem já assistiu ao Pânico na TV talvez se lembre que tinha um quadro que era as "sandálias da humildade", cujo objetivo era fazer com que algum personagem ilustre, arrrogante ou presunçoso, calçasse as sandálias, o que era comemorado efusivamente pelos atores Vesgo e Silvio. Provavelmente os telespectadores vibravam também com o feito (me lembro uma vez do Jô Soares). Este programa no início, apesar de algumas apelações, era criativo e tinha quadros interessantes, porém sempre na linha de zombar ou ridicularizar alguém.
Aos poucos o programa se tornou mais apelação, perdeu a criatividade e muitas pessoas não se interessaram mais em vê-lo.
Um famoso antropólogo brasileiro, Roberto DaMatta, faz um constraste entre a casa e a rua: a casa é o lugarde pessoas que me querem bem e em quem posso confiar, enquanto a rua é um lugar perigoso, tenho que estar alerta, é o lugar da concorrência, onde nao se pode confiar no outro. Talvez isto explique um pouco a situação: se o outro na TV, ou seja na "rua", é gozado, estou em situação de vantagem, estou em casa e posso rir a vontade do outro que está na "rua".
Bem, há muitas explicações possíveis e pode ser que alguns não concordem com meus argumentos. Há uma música do Chico Buarque muito bacana(seu pai, Sérgio Buarque, foi um escritor famoso brasileiro, que escreveu, por exemplo: "Raízes do Brasil", um clássico da literatura). Pois bem, o Chico fez uma canção com uma letra provocativa, que, acredito, mostra um pouco como o brasileiro é um tipo gozador, até consigo próprio.
Cassia Eller, numa interpretação magistral, canta "partido alto"... vale a pena ver
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tempos de destruição (2) - conheça a história de Ilena Sendler
2/05/2008 - 21h32
Morre Irena Sendler, que salvou 2.500 crianças judias durante Holocausto
France Presse, em Varsóvia
“ A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade. - Irena Sendler ”
Uma das grandes heroínas polonesas da Segunda Guerra Mundial, Irena Sendler, que salvou a 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia, morreu nesta segunda-feira aos 98 anos.
"Morreu hoje", declarou à agência France Presse sua filha, Janina Zgrzembska, sem dar mais detalhes sobre o falecimento da mulher que gostava de recordar que a "educaram a partir da crença de que se deve salvar as pessoas não importa a religião ou nacionalidade".
Nascida em 1910, Irena Sendler foi uma desconhecida durante muitos anos para os poloneses.
O mesmo acontecera com Oskar Schindler, que morreu na pobreza na Alemanha antes da façanha de ter salvo os funcionários judeus de sua fábrica ser levada ao cinema por Steven Spielberg.
Apenas em março de 2007 a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz.
No entanto, o memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em 1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não-judeus que salvaram judeus.
Varsóvia
Assistente social, Irena Sendler trabalhava antes da guerra com famílias judias pobres de Varsóvia, a primeira metrópole judia da Europa, onde viviam 400 mil dos 3,5 milhões de judeus de toda a Polônia.
A partir do outono de 1940, passou a correr muitos riscos ao fornecer alimentos, roupas e medicamentos aos moradores do gueto instalado pelos nazistas.
No fim do verão de 1942, Irena Sendler se uniu ao movimento de resistência Zegota, (Conselho de Ajuda aos Judeus).
A polonesa conseguiu retirar de maneira clandestina milhares de crianças do gueto e as alojava entre famílias católicas e conventos.
"Fomos testemunhas de cenas infernais quando o pai estava de acordo, mas a mãe não", comentou a um site na internet dedicado a ela (www.dzieciholocaustu.pl).
As crianças eram escondidas em maletas e retiradas por bombeiros ou em caminhões de lixo. Em alguns casos chegavam a ser escondidas dentro dos abrigos de pessoas que tinham autorização para entrar no gueto.
Prisão
Sendler foi presa em sua casa em 20 de outubro de 1943.
Durante o período em que ficou detida no quartel-general de Gestapo, foi torturada pelos nazistas que quebraram seus pés e pernas. Ainda assim, ela não deu informações. Logo depois, foi condenada à morte, mas milagrosamente foi salva quando a conduziam à execução por um oficial alemão que a resistência polonesa conseguiu corromper.
Sendler continuou sua luta clandestina sob uma nova identidade até o final da guerra, trabalhando como supervisora de orfanatos e asilos em seu país.
Nunca se considerou uma heroína. "Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco", declarou.
Devido ao seu estado de saúde delicado, Irena Sendler não participou da cerimônia que lhe homenageou em 2007, mas enviou uma sobrevivente, salva por ela em um gueto quando bebê, em 1942, para ler uma carta em se nome.
"Convoco todas as pessoas generosas ao amor, à tolerância e à paz, não somente em tempos de guerra, mas também em tempos de paz", escreveu.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O cérebro envelhece?
O ser humano é fantástico; mesmo se somos condicionados pelo ambiente, cada pessoa tem a sua marca impressa, seu biotipo, sua maturidade psicológica, inteligência, sua história de vida, condição social, etc.
Descobri um material interessante sobre como podemos fazer um "pilates" com o cérebro, ou seja, treiná-lo e desafiá-lo para não envelhecer ou, pelo menos, postergar seu envelhecimento.
Me lembro que participei em 2009 de um aula sobre Gestão Eletrônica de Documentos com uma professora de 86 anos... que vivacidade, inteligência e vontade de viver e de fazer bem a vontade de Deus apreendi com aquela mulher. Constatei de verdade que é natural o envelhecimento biológico, mas não necessáriamente o psicológico e intelectual.

Segue abaixo dois endereços: um vídeo e um arquico em power point que mostram algumas idéias sobre a aplicação de técnicas para manter o cérebro ativo.
Vídeo http://vimeo.com/12381521
Arquivo http://sorisomail.com/powerpoint/49767.html
Descobri um material interessante sobre como podemos fazer um "pilates" com o cérebro, ou seja, treiná-lo e desafiá-lo para não envelhecer ou, pelo menos, postergar seu envelhecimento.
Me lembro que participei em 2009 de um aula sobre Gestão Eletrônica de Documentos com uma professora de 86 anos... que vivacidade, inteligência e vontade de viver e de fazer bem a vontade de Deus apreendi com aquela mulher. Constatei de verdade que é natural o envelhecimento biológico, mas não necessáriamente o psicológico e intelectual.

Segue abaixo dois endereços: um vídeo e um arquico em power point que mostram algumas idéias sobre a aplicação de técnicas para manter o cérebro ativo.
Vídeo http://vimeo.com/12381521
Arquivo http://sorisomail.com/powerpoint/49767.html
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Mudar é preciso!?!?!?
Veja o vídeo abaixo e responda a pergunta: "ele se aplica ao seu ambiente de trabalho?"
Provavelmente sim; porém a aplicacão de experimentos com animais nem sempre se aplica à humanos. Porquê? Vamos analisar de um ponto de vista sociológico.
A questão da mudança ou da ação tem algumas correntes sociológicas que se situam em pontos opostos:
1) De um lado autores que enfatizam a preponderância do meio, as normas, convenções e constragimentos externos que deixam pouca ou quase nenhuma margem de ação para os indivíduos. São correntes expressivas deste pensamento o funcionalismo e o estruturalismo.
2) De outro, autores que acreditam que o ser humano é livre para, racionalmente e de forma reflexiva, tomar as decisões que acredita sejam as melhores para aquela situação. Podemos mencionar, entre outras, a fonomenologia, o individualismo metodológico, o interacionismo simbólico, a etnometodologia, etc.
Alguns autores tais como Giddens e Bourdieu têm procurado ir além dos limites destas duas concepções, procurando encontrar respostas para a ação que levem em conta as restrições exteriores, mas também o subjetivismo ou as intenções do indivíduo.
No desenho os macaquinhos, após serem condicionados, adquirem um hábito de surrar qualquer macaco que ouse subir na escada, fruto anterior de muitas chuveiradas, que provocaram uma associação: subir na escada para pegar bananas = ducha de água fria. Com o decorrer do tempo não era mais necessário o estímulo, pois os bichinhos haviam introjetado a condição: subiu = apanhou.
Com seres humanos podem acontecer coisas semelhantes? Sim, principalmente quando existem hábitos arraigados que não são questionados, porém persiste sempre a liberdade de questionar e, com muito ou pouco esforço, mudar situações.
Devo ressaltar que no ambiente de trabalho é, muitas vezes, difícil mudar o pensamento ou as formas de se fazerem as coisas. É comum ver pessoas que fazem algum curso, principalmente em áreas como gestão ou liderança voltarem com idéias de revolucionar o ambiente de trabalho. Dentro de poucas semanas ou dias, provavelmente, o indivíduo já terá percebido que existem forças dentro da organização que reagem negativamente à mudanças, seja por medo, por desconhecimento ou por interesse de manter as coisas como estão (por exemplo, detentores de posições de poder que poderão se sentir ameaçados).
Porém, é possível para o agente começar com uma mudança pessoal(que também não é fácil) e ir conseguindo adeptos para suas idéias, visando a implantação.
Em se falando de mudança cultural alguns antropólogos, como Clifford Geertz, acreditam que é possível diagnosticá-la, porém mudá-la de forma intencional é quase impossível, pois a cultura depende de restrições do contexto e das ações de uma série de agentes, não sendo possível monitorá-las ou direcioná-las.
Outros como Edgard Shein concordam que é muito difícil a mudança, mas possível, tendo o líder um papel importante para definir uma direção (visão), assumindo pessoalmente a implantação e cobrando resultados, até que as pessoas tenham incorporado a nova forma de compreender e fazer as coisas, definindo assim uma nova cultura.
Particularmente acho muito difícil grandes mudanças, mas não impossível, basta vermos exemplos na humanidade como as ações de Gandhi, Mandella, Madre Tereza e outros.
Mas no nosso cotidiano podemos ousar mudar; às vezes precisamos quebrar paradígmas e muita força de vontade para, através da nossa ação e desenvolvendo habilidades para envolver outros nessa empreitada, conseguir mudanças efetivas.
Provavelmente sim; porém a aplicacão de experimentos com animais nem sempre se aplica à humanos. Porquê? Vamos analisar de um ponto de vista sociológico.
A questão da mudança ou da ação tem algumas correntes sociológicas que se situam em pontos opostos:
1) De um lado autores que enfatizam a preponderância do meio, as normas, convenções e constragimentos externos que deixam pouca ou quase nenhuma margem de ação para os indivíduos. São correntes expressivas deste pensamento o funcionalismo e o estruturalismo.
2) De outro, autores que acreditam que o ser humano é livre para, racionalmente e de forma reflexiva, tomar as decisões que acredita sejam as melhores para aquela situação. Podemos mencionar, entre outras, a fonomenologia, o individualismo metodológico, o interacionismo simbólico, a etnometodologia, etc.
Alguns autores tais como Giddens e Bourdieu têm procurado ir além dos limites destas duas concepções, procurando encontrar respostas para a ação que levem em conta as restrições exteriores, mas também o subjetivismo ou as intenções do indivíduo.
No desenho os macaquinhos, após serem condicionados, adquirem um hábito de surrar qualquer macaco que ouse subir na escada, fruto anterior de muitas chuveiradas, que provocaram uma associação: subir na escada para pegar bananas = ducha de água fria. Com o decorrer do tempo não era mais necessário o estímulo, pois os bichinhos haviam introjetado a condição: subiu = apanhou.
Com seres humanos podem acontecer coisas semelhantes? Sim, principalmente quando existem hábitos arraigados que não são questionados, porém persiste sempre a liberdade de questionar e, com muito ou pouco esforço, mudar situações.
Devo ressaltar que no ambiente de trabalho é, muitas vezes, difícil mudar o pensamento ou as formas de se fazerem as coisas. É comum ver pessoas que fazem algum curso, principalmente em áreas como gestão ou liderança voltarem com idéias de revolucionar o ambiente de trabalho. Dentro de poucas semanas ou dias, provavelmente, o indivíduo já terá percebido que existem forças dentro da organização que reagem negativamente à mudanças, seja por medo, por desconhecimento ou por interesse de manter as coisas como estão (por exemplo, detentores de posições de poder que poderão se sentir ameaçados).
Porém, é possível para o agente começar com uma mudança pessoal(que também não é fácil) e ir conseguindo adeptos para suas idéias, visando a implantação.
Em se falando de mudança cultural alguns antropólogos, como Clifford Geertz, acreditam que é possível diagnosticá-la, porém mudá-la de forma intencional é quase impossível, pois a cultura depende de restrições do contexto e das ações de uma série de agentes, não sendo possível monitorá-las ou direcioná-las.
Outros como Edgard Shein concordam que é muito difícil a mudança, mas possível, tendo o líder um papel importante para definir uma direção (visão), assumindo pessoalmente a implantação e cobrando resultados, até que as pessoas tenham incorporado a nova forma de compreender e fazer as coisas, definindo assim uma nova cultura.
Particularmente acho muito difícil grandes mudanças, mas não impossível, basta vermos exemplos na humanidade como as ações de Gandhi, Mandella, Madre Tereza e outros.
Mas no nosso cotidiano podemos ousar mudar; às vezes precisamos quebrar paradígmas e muita força de vontade para, através da nossa ação e desenvolvendo habilidades para envolver outros nessa empreitada, conseguir mudanças efetivas.
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Cultura de Paz... será possível?
Podemos entender cultura como os traços, costumes, regras e convenções que caraterizam uma sociedade.
OK, mas por que de paz? O Brasil não vive em paz?
Sim, não estamos em guerra com outros países, mas estamos longe de viver uma cultura de paz. Basta ligar a televisão ou ler o noticiário e vamos nos deparar com conflitos nos campos, nas cidades, nos bairros pobres, mas também nos ricos, e até, infelizmente, no interior das famílias. Talvez aí seja o lugar por excelência onde se deva trabalhar por uma cultura de paz.
Crianças que crescem com o amor dos pais têm mais facilidade de desenvolver comportamentos de amizade, de respeito, de paz. No entanto o mundo nos coloca diante de situações desestimulantes: na escola, no trabalho, em muitos ambientes percebemos a competição, o desrespeito, a falta de consideração....
Como ter atitudes de paz, de amor, de perdão, compreensão, amizade, justiça se muitas vezes não as percebemos nos ambientes?
Bom, se queremos paz temos que começar por nós. Nelson Mandela, após 27 anos de prisão injusta disse uma frase que me fez muita impressão: "Experimentar o ódio e o ressentimento é como beber um veneno e esperar que os inimigos morram".
Mas, não é fácil; lutar por uma cultura de paz precisa de um esforço, muitas vezes enorme, para vencer a nós mesmos; mas, vale a pena...afinal o futuro da humanidade está nas mãos de cada um de nós.
"Coragem".... se caires não te preocupes...levanta e continua, este é o segredo!!!
OK, mas por que de paz? O Brasil não vive em paz?
Sim, não estamos em guerra com outros países, mas estamos longe de viver uma cultura de paz. Basta ligar a televisão ou ler o noticiário e vamos nos deparar com conflitos nos campos, nas cidades, nos bairros pobres, mas também nos ricos, e até, infelizmente, no interior das famílias. Talvez aí seja o lugar por excelência onde se deva trabalhar por uma cultura de paz.
Crianças que crescem com o amor dos pais têm mais facilidade de desenvolver comportamentos de amizade, de respeito, de paz. No entanto o mundo nos coloca diante de situações desestimulantes: na escola, no trabalho, em muitos ambientes percebemos a competição, o desrespeito, a falta de consideração....
Como ter atitudes de paz, de amor, de perdão, compreensão, amizade, justiça se muitas vezes não as percebemos nos ambientes?
Bom, se queremos paz temos que começar por nós. Nelson Mandela, após 27 anos de prisão injusta disse uma frase que me fez muita impressão: "Experimentar o ódio e o ressentimento é como beber um veneno e esperar que os inimigos morram".
Mas, não é fácil; lutar por uma cultura de paz precisa de um esforço, muitas vezes enorme, para vencer a nós mesmos; mas, vale a pena...afinal o futuro da humanidade está nas mãos de cada um de nós.
"Coragem".... se caires não te preocupes...levanta e continua, este é o segredo!!!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Tempos de destruição... brota a esperança!!!
1914 e 1939 - duas grandes guerras mundiais; em meio a tantas mortes e destruição, é possível descobrir sementes de esperança?
Mas, voltemos um pouco no tempo:
Primeira grande guerra mundial – 1914 a 1917
O processo de partilha das colônias da África e Ásia no final do século XIX deixou perdas e ganhos: países, como a França e a Inglaterra, exploravam colônias ricas em matérias-primas e tinham um grande mercado consumidor; outros, como Alemanha e Itália, foram alijados dessa partilha o que gerou grande insatisfação, podendo ser considerada uma das causas da guerra.
Nesse período se formaram dois blocos de países com fins políticos e militares: de um lado a Tríplice Aliança com Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha; de outro, a Tríplice Entente, com a França, Rússia e Reino Unido. Em 28 de julho de 1914, durante uma visita a Saravejo, foi assassinado o príncipe do império austro-húngaro Francisco Ferdinando, o que precipitou uma declaração de guerra desse império contra a Sérvia, provocando o envolvimento dos dois blocos.
Em 1917 ocorreu um fato decisivo: a entrada dos Estados Unidos no conflito ao lado da Inglaterra e França, o que acabou forçando os países da Aliança a assinarem a rendição e o Tratado de Versalhes, que lhes impôs fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdendo algumas regiões de influência, além de ter que pagar os prejuízos da guerra. Todos estes fatos provocaram um clima de revolta na Alemanha, influenciando o que viria a ser a Segunda Guerra Mundial.
Essa guerra provocou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.
Segunda grande guerra mundial – 1939 a 1945
Durante a década de 1930 surgiram na Europa governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas, influenciados pelos resultados da 1ª guerra. Na Alemanha o nazismo, liderado por Hitler, pretendia expandir o território Alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes e reconquistando territórios perdidos. Na Itália crescia o Partido Fascista, liderado pelo Duce - Benito Mussolini - com poderes sem limites. Havia uma série crise econômica, agravada pela grande depressão, iniciada com a queda das bolsas em 1929, deixando milhões sem emprego. Uma das soluções desses governos foi a expansão das indústrias de artefatos de guerra. Na Ásia, o Japão também possuía forte desejo de expansão geográfica. Estes três países uniram-se e formaram o Eixo, um acordo com fortes características militares.
O estopim da guerra foi a invasão da Polônia pela Alemanha em 1939, fazendo com que a França e a Inglaterra lhe declarassem guerra. Novamente se formaram dois grupos: Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ). A maioria das nações do mundo acabou se envolvendo, o que levou à guerra mais sangrenta da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados e um massacre contra civis, incluindo o Holocausto, duas bombas nucleares e mais de setenta milhões de mortos.
Neste contexto é possível a esperança?!!!
Qualquer guerra é um drama para milhares de pessoas, porém é possível vislumbrar sementes de paz, através da ação ou iniciativa de pessoas comuns. Vamos conhecer algumas desse período:
Maximiliano Kolbe ( 1894 a 1941). De origem polonesa, Franciscano desde 1907, foi editor de uma revista católica que chegou a um milhão de exemplares. Chegou a instalar uma emissora de rádio e foi missionário no Japão, estando em Nagasaki de 1930 a 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2.000 judeus. Em 1941 é preso pela Gestapo e depois transferido para Auschwitz. Numa ocasião um homem do bunker de Kolbe foge e como represália os nazistas o enviam para uma cela isolada com outros dez prisioneiros para morrer de fome e sede. Um dos dez lamenta-se pela família que deixa, dizendo que tinha mulher e filhos e Kolbe pede para tomar o seu lugar. O pedido é aceito e o padre Kolbe aceita o martírio, procurando dar assistência àqueles pobres condenados. Duas semanas depois, só quatro sobrevivem, incluindo Kolbe. Os nazistas decidem executá-los com uma injeção de ácido.
Oskar Schindler foi um industrial tcheco. Ao comprar em 1939 uma fábrica de esmaltados quase falida na Polônia dominada pela Alemanha de Hitler, usou suas boas relações com altos funcionários nazistas, para recrutar trabalhadores entre prisioneiros judeus do gueto da Cracóvia, passando a fornecer produtos para o exército alemão. Quando os nazistas iniciam a "solução final" (execução em massa dos judeus), Schindler intercede junto ao comandante Amon Goeth, subornando outros oficiais e garantindo tratamento diferenciado para seus operários, salvando-os dos campos de extermínio.
Chiara Lubich. Nasce em 1920 em Trento, norte da Italia, no período entre as duas guerras. Tendo como origem uma família humilde, o pai de Chiara perdeu o trabalho por defender idéias socialistas e por isso a família teve de encontrar outras ocupações. Chiara dava aulas particulares e estudava filosofia na Universidade de Veneza, pois procurava a verdade profunda das coisas. Enquanto tudo desmoronava ao seu redor, descobre que Deus era para ela o único ideal que não passava. Divide então esta descoberta com outras companheiras e juntas formam um pequeno grupo, constituindo assim o primeiro núcleo de um movimento que se expandiria por muitos países. Em 1943 se consagra a Deus, período considerado o marco inicial do movimento que ficou conhecido mais tarde como Focolares, que pode ser traduzido como “lareira” em italiano e que simboliza o calor do aconchego do lar, de pessoas que se amam e se querem bem.
Sua casa foi destruída por um violento bombardeio, o que obrigou seus familiares a se refugiarem nas montanhas. Chiara deu um passo decisivo decidindo permanecer em Trento com suas companheiras, fiel ao que lhe pareceu a vontade de Deus para ela.
Mesmo passando por grandes dificuldades viviam intensamente, procurando ajudar os mais necessitados, mesmo se não tinham quase nada. Muitas vezes tinham que correr para o refúgio e a única coisa que levavam era o evangelho, que se tornou para elas uma grande luz. As frases lidas procuravam colocar logo em prática: “amai-vos uns aos outros...”, “perdoai vossos inimigos...”. A certeza de que Deus as ama imensamente se tornou um marco na vida dos que aderem a esta espiritualidade.
Um dia um pobre lhe pede um par de sapatos nº 42. Elas não tinham, mas confiaram a Deus que lhes ajudassem. No mesmo dia, ao saírem de uma igreja, uma senhora lhes ofereceu um par de sapatos 42. Coincidência?
Muitíssimos outros fatos, “coincidências”, aconteceram e aos poucos outras pessoas, de todos os tipos, se juntavam a esse grupo. Tinham como principal objetivo viver o amor e a caridade recíproca e apreenderam a ver nos muitos momentos de dor um aspecto ou uma face do homem-Deus, Jesus, que deu sua vida pela redenção dos homens.
Com o crescimento e estruturação desse movimento brotaram ramificações, como numa grande árvore: consagrados (virgens e casados), famílias, jovens e crianças (Gen: geração nova), voluntários (pessoas comprometidas em viver esta espiritualidade em seu ambiente de trabalho), padres, religiosos (as) e bispos. O movimento é aberto e procura dialogar em quatro níveis: com outros movimentos católicos, com cristãos de outras denominações, com fiéis de grandes religiões e com pessoas sem um referencial religioso, mas que valorizam o bem e a fraternidade.
Chiara faleceu em março 2008 e deixou um legado rico em espiritualidade, mas também com várias iniciativas concretas de penetração desse espírito de fraternidade na sociedade, tais como: na economia com o projeto de Economia de Comunhão com mais de 800 empresas engajadas, na política com políticos de diversos partidos comprometidos com a ética e o atuar juntos em projetos de interesse da sociedade.
Chiara ganhou ainda em vida muitos títulos honoríficos e comendas de diversos países. Aqui no Brasil foi agraciada com a ordem do Cruzeiro do Sul. O vídeo abaixo dará uma pequena idéia de quem foi essa grande mulher dos tempos modernos.
Mas, voltemos um pouco no tempo:
Primeira grande guerra mundial – 1914 a 1917
O processo de partilha das colônias da África e Ásia no final do século XIX deixou perdas e ganhos: países, como a França e a Inglaterra, exploravam colônias ricas em matérias-primas e tinham um grande mercado consumidor; outros, como Alemanha e Itália, foram alijados dessa partilha o que gerou grande insatisfação, podendo ser considerada uma das causas da guerra.
Nesse período se formaram dois blocos de países com fins políticos e militares: de um lado a Tríplice Aliança com Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha; de outro, a Tríplice Entente, com a França, Rússia e Reino Unido. Em 28 de julho de 1914, durante uma visita a Saravejo, foi assassinado o príncipe do império austro-húngaro Francisco Ferdinando, o que precipitou uma declaração de guerra desse império contra a Sérvia, provocando o envolvimento dos dois blocos.
Em 1917 ocorreu um fato decisivo: a entrada dos Estados Unidos no conflito ao lado da Inglaterra e França, o que acabou forçando os países da Aliança a assinarem a rendição e o Tratado de Versalhes, que lhes impôs fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdendo algumas regiões de influência, além de ter que pagar os prejuízos da guerra. Todos estes fatos provocaram um clima de revolta na Alemanha, influenciando o que viria a ser a Segunda Guerra Mundial.
Essa guerra provocou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.
Segunda grande guerra mundial – 1939 a 1945
Durante a década de 1930 surgiram na Europa governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas, influenciados pelos resultados da 1ª guerra. Na Alemanha o nazismo, liderado por Hitler, pretendia expandir o território Alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes e reconquistando territórios perdidos. Na Itália crescia o Partido Fascista, liderado pelo Duce - Benito Mussolini - com poderes sem limites. Havia uma série crise econômica, agravada pela grande depressão, iniciada com a queda das bolsas em 1929, deixando milhões sem emprego. Uma das soluções desses governos foi a expansão das indústrias de artefatos de guerra. Na Ásia, o Japão também possuía forte desejo de expansão geográfica. Estes três países uniram-se e formaram o Eixo, um acordo com fortes características militares.
O estopim da guerra foi a invasão da Polônia pela Alemanha em 1939, fazendo com que a França e a Inglaterra lhe declarassem guerra. Novamente se formaram dois grupos: Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ). A maioria das nações do mundo acabou se envolvendo, o que levou à guerra mais sangrenta da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados e um massacre contra civis, incluindo o Holocausto, duas bombas nucleares e mais de setenta milhões de mortos.
Neste contexto é possível a esperança?!!!
Qualquer guerra é um drama para milhares de pessoas, porém é possível vislumbrar sementes de paz, através da ação ou iniciativa de pessoas comuns. Vamos conhecer algumas desse período:
Maximiliano Kolbe ( 1894 a 1941). De origem polonesa, Franciscano desde 1907, foi editor de uma revista católica que chegou a um milhão de exemplares. Chegou a instalar uma emissora de rádio e foi missionário no Japão, estando em Nagasaki de 1930 a 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2.000 judeus. Em 1941 é preso pela Gestapo e depois transferido para Auschwitz. Numa ocasião um homem do bunker de Kolbe foge e como represália os nazistas o enviam para uma cela isolada com outros dez prisioneiros para morrer de fome e sede. Um dos dez lamenta-se pela família que deixa, dizendo que tinha mulher e filhos e Kolbe pede para tomar o seu lugar. O pedido é aceito e o padre Kolbe aceita o martírio, procurando dar assistência àqueles pobres condenados. Duas semanas depois, só quatro sobrevivem, incluindo Kolbe. Os nazistas decidem executá-los com uma injeção de ácido.
Oskar Schindler foi um industrial tcheco. Ao comprar em 1939 uma fábrica de esmaltados quase falida na Polônia dominada pela Alemanha de Hitler, usou suas boas relações com altos funcionários nazistas, para recrutar trabalhadores entre prisioneiros judeus do gueto da Cracóvia, passando a fornecer produtos para o exército alemão. Quando os nazistas iniciam a "solução final" (execução em massa dos judeus), Schindler intercede junto ao comandante Amon Goeth, subornando outros oficiais e garantindo tratamento diferenciado para seus operários, salvando-os dos campos de extermínio.
Chiara Lubich. Nasce em 1920 em Trento, norte da Italia, no período entre as duas guerras. Tendo como origem uma família humilde, o pai de Chiara perdeu o trabalho por defender idéias socialistas e por isso a família teve de encontrar outras ocupações. Chiara dava aulas particulares e estudava filosofia na Universidade de Veneza, pois procurava a verdade profunda das coisas. Enquanto tudo desmoronava ao seu redor, descobre que Deus era para ela o único ideal que não passava. Divide então esta descoberta com outras companheiras e juntas formam um pequeno grupo, constituindo assim o primeiro núcleo de um movimento que se expandiria por muitos países. Em 1943 se consagra a Deus, período considerado o marco inicial do movimento que ficou conhecido mais tarde como Focolares, que pode ser traduzido como “lareira” em italiano e que simboliza o calor do aconchego do lar, de pessoas que se amam e se querem bem.
Sua casa foi destruída por um violento bombardeio, o que obrigou seus familiares a se refugiarem nas montanhas. Chiara deu um passo decisivo decidindo permanecer em Trento com suas companheiras, fiel ao que lhe pareceu a vontade de Deus para ela.
Mesmo passando por grandes dificuldades viviam intensamente, procurando ajudar os mais necessitados, mesmo se não tinham quase nada. Muitas vezes tinham que correr para o refúgio e a única coisa que levavam era o evangelho, que se tornou para elas uma grande luz. As frases lidas procuravam colocar logo em prática: “amai-vos uns aos outros...”, “perdoai vossos inimigos...”. A certeza de que Deus as ama imensamente se tornou um marco na vida dos que aderem a esta espiritualidade.
Um dia um pobre lhe pede um par de sapatos nº 42. Elas não tinham, mas confiaram a Deus que lhes ajudassem. No mesmo dia, ao saírem de uma igreja, uma senhora lhes ofereceu um par de sapatos 42. Coincidência?
Muitíssimos outros fatos, “coincidências”, aconteceram e aos poucos outras pessoas, de todos os tipos, se juntavam a esse grupo. Tinham como principal objetivo viver o amor e a caridade recíproca e apreenderam a ver nos muitos momentos de dor um aspecto ou uma face do homem-Deus, Jesus, que deu sua vida pela redenção dos homens.
Com o crescimento e estruturação desse movimento brotaram ramificações, como numa grande árvore: consagrados (virgens e casados), famílias, jovens e crianças (Gen: geração nova), voluntários (pessoas comprometidas em viver esta espiritualidade em seu ambiente de trabalho), padres, religiosos (as) e bispos. O movimento é aberto e procura dialogar em quatro níveis: com outros movimentos católicos, com cristãos de outras denominações, com fiéis de grandes religiões e com pessoas sem um referencial religioso, mas que valorizam o bem e a fraternidade.
Chiara faleceu em março 2008 e deixou um legado rico em espiritualidade, mas também com várias iniciativas concretas de penetração desse espírito de fraternidade na sociedade, tais como: na economia com o projeto de Economia de Comunhão com mais de 800 empresas engajadas, na política com políticos de diversos partidos comprometidos com a ética e o atuar juntos em projetos de interesse da sociedade.
Chiara ganhou ainda em vida muitos títulos honoríficos e comendas de diversos países. Aqui no Brasil foi agraciada com a ordem do Cruzeiro do Sul. O vídeo abaixo dará uma pequena idéia de quem foi essa grande mulher dos tempos modernos.
domingo, 9 de maio de 2010
Fraternidade... faz algum sentido hoje?
Fraternidade.... será que esta palavra tem algum significado hoje? Afinal estamos vivendo uma época chamada por muitos como pós-modernidade, lugar de competição e individualismo onde as pessoas têm que cuidar de si e da sua família, afinal quem vai pensar nelas?
Podemos lembrar do ideal da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade! Nos nossos tempos liberdade ganhou um status de uma das coisas que mais importa (pelo menos no mundo ocidental; igualdade... tem sido um enorme desafio. Sabemos que somos diferentes: raças, condição social, educação, valores... assim, o que significa igualdade? Na época que o comunismo estava no auge eles pensavam que igualdade era tornar todos em condições sociais iguais... não funcionou...
Talvez possamos entender igualdade de oportunidades e já seria um enorme desafio num país de proporções gigantescas como o Brasil e de imensas desigualdades sociais. Mas muitos lutam ou fazem alguma coisa para diminuir essas desigualdades. Também poderíamos pensar: como humanos, somos todos dignos de respeito, de sermos valorizados pela nossa condição humana, independente do resto...mas, ainda é um baita desafio.
E a fraternidade? É muito menos falada que as outras duas. A Campanha da Fraternidade da CNBB cada ano tenta enfocar um assunto merecedor de reflexão. Neste ano Justica e Paz, assuntos importantíssimos para vivermos em sociedade.
Convido vocês a verem um pequeno filme interessante sobre o assunto com Jorge Furtado:
Podemos lembrar do ideal da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade! Nos nossos tempos liberdade ganhou um status de uma das coisas que mais importa (pelo menos no mundo ocidental; igualdade... tem sido um enorme desafio. Sabemos que somos diferentes: raças, condição social, educação, valores... assim, o que significa igualdade? Na época que o comunismo estava no auge eles pensavam que igualdade era tornar todos em condições sociais iguais... não funcionou...
Talvez possamos entender igualdade de oportunidades e já seria um enorme desafio num país de proporções gigantescas como o Brasil e de imensas desigualdades sociais. Mas muitos lutam ou fazem alguma coisa para diminuir essas desigualdades. Também poderíamos pensar: como humanos, somos todos dignos de respeito, de sermos valorizados pela nossa condição humana, independente do resto...mas, ainda é um baita desafio.
E a fraternidade? É muito menos falada que as outras duas. A Campanha da Fraternidade da CNBB cada ano tenta enfocar um assunto merecedor de reflexão. Neste ano Justica e Paz, assuntos importantíssimos para vivermos em sociedade.
Convido vocês a verem um pequeno filme interessante sobre o assunto com Jorge Furtado:
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Ahhhhh.....que bela mensagem!!!!!!

"Precisamos aprender a conviver com nossos inimigos, já que não podemos transformar todos eles em amigos" (Alexis de Tocqueville, historiador e político francês, 1805-1859)
Esta frase é muito desafiadora e nos faz refletir. Mensagens assim são muito importantes, mas... como outras inúmeras mensagens de mudança de vida que recebemos são inócuas ou, pelo menos, em geral, têm muita pouca eficácia.
Sejamos sinceros; quantas mensagens destas recebemos e depois de alguns minutos já não nos lembramos mais...se conseguíssemos colocá-las em prática, provavelmente, estaríamos muito melhor (ou não....)
Porque isto acontece??? Na sociologia e também na antropologia encontramos respostas que podem nos dar algumas dicas:
- O ser humano não é tão racional quanto se pensa. Vivemos em comunidades: família, trabalho, escola....somos condicionados por situações externas, pelas pessoas que convivem ou trabalham conosco, por situações que nos determinam como o tempo, o horário de serviço, dormir, alimentar-se, estudar, etc....nossa vida é feita de regras, convenções e práticas que aprendemos desde pequenos e que nos dizem o que temos que fazer a cada instante.
- Todos nós somos condicionados desde pequenos a perceber, pensar, classificar as situações e agir de certa forma. Isto quer dizer que não temos autonomia de fazer o que quiser? Não é bem assim, somos livres, pero no mucho....Vocês se lembram da música "Como nossos pais"?
- Até nosso próprio cérebro procura poupar energia e desta forma, a maior parte dos pensamentos ou atitudes que temos é automatizada, até como necessidade de saúde mental. Nosso cérebro não aguentaria ter que analisar e processar cada situação... na maior parte das vezes o cérebro age de forma automatizada com base em situações vividas ou por analogia. Quem dirige já deve ter ficado admirado de dirigir por longos trechos e dar-se conta de que estava no piloto automático.
Mudar de atitudes e de comportamentos na vida não é tão simples...mas é possível. Primeiro tenho que ter consciência de que a mudança é importante (para mim) ; segundo, preciso, sinceramente, estar comprometido com a mudança e aí é que dificilmente conseguimos ser muito fiéis aos propósitos, isto porque é difícil mesmo mudar os hábitos.
Pierre Bourdieu, sociólgo francês, usa a expressão "habitus" para designar nossos condicionamentos interiores, ou seja, nossas práticas, pensamentos e formas de julgar as circunstâncias, fruto do histórico da nossa vida, condição social, cultural, etc...É muito difícil a mudança do "habitus", mas é possível.
Eu quero mudar de verdade? Sim...então vou assumir um pequeno compromisso de mudança (para começar) e estabelecer uma condição objetiva que me "obrigue" a manter meu compromisso. Por exemplo: quero caminhar todo dia pela manhã; para isto tenho que levantar meia hora mais cedo. Então é bom que eu crie condições que me lembrem desse compromisso, por exemplo: deixar com alarme o despertador e também o celular, ou pedir para alguém me chamar...melhor ainda, combinar com alguém de fazer o mesmo programa, assim um ajuda o outro......
É difícil? Um pouco, mas cada vez que eu consigo vencer a inércia e fazer pequenas mudanças ganho confiança e coragem para empreender outras mais difíceis.
Outro aspecto importante, para quem acredita; podemos pedir também uma ajuda celeste, ou uma graça, que nos ajude a conseguir a mudança pretendida. A ciência não explica este aspecto, mas para quem tem fé isto é muito importante; pense nas pessoas que deixam as drogas, o cigarro, bebida, etc...Sim a fé nos ajuda a mover montanhas, mas precisa também do nosso compromisso e esforço...
Certas mudanças precisam também de uma dose de ousadia. Quem não se lembra do filme:"Mudança de hábito". Curta um pouquinho o vídeo abaixo que é excelente.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A mochila, que coisa boa... será?

Começou com as crianças levando à escola e logo se espalhou; depois foram os jovens, adultos, pobres, ricos, trabalhadores e empresários, muitos aderiram a ela.
Surgiram os mais variados tipos e modelos, tem para todos os gostos.
A mochila teve um impulso maior ainda pela facilidade de levar material de trabalho, notebooks, material de esporte, coisas de uso pessoal, etc.
Foi realmente uma boa invenção, quem não se lembra daquelas pastas pesadas que deixavam a pessoa torta, se equilibrando para compensar o lado carregado....
Porém, não se pensou que ela se tornaria uma coisa chata em algumas situações, como nos transportes coletivos. Ônibus, metrô, barcas, trem... em vários lugares ela começou a ser sinônimo de incômodo, chateação.
Vivemos uma época de individualismo. Quem é hoje que não pega seu transporte e puxa logo algo prá ler (se estiver sentado) ou bota aquele aparelhinho, aquela outra maravilha, o walkman? E tome tecnologia: walkman, MP3, MP4, .......... celular com música, rádio...qualquer um (ou quase) pode possuir alguma destas maravilhas.
Individualismo...pois é, as pessoas não se dão conta mais do outro; ah, esse outro... acaba sendo um chato....Eu aqui, com a minha mochila, curtindo meu som e esse cara vem passar logo por aqui???
Outro dia estava num ônibus cheio e uma senhora com uma mochila nas costas, prá variar atrapalhando quem passava. Depois de algum tempo e empurra empurra ela reclamou: "bem que eles poderiam passar de ladinho, mas querem passar de frente"...
Durma com um barulho desses.....
Pois é: o outro.... porque perdemos essa dimensão do outro, da alteridade? Será que é assim mesmo?
Não é!!!! precisamos readquirir ou aumentar nossa percepção do outro, de quem está ao nosso lado, gente que precisa ser respeitada em seus direitos. Não posso fazer o que quiser e deixar que o outro que se lixe...
Boas maneiras se aprende em casa, mas também na escola. A educação é fundamental para um crescimento da sociedade de forma vivível, sem necessidade de passarmos aborrecimentos e stress para enfrentar nosso cotidiano.
Eu também uso mochila, mas procuro estar atento. Se vejo que vai incomodar tiro das costas, faço alguma coisa para ser gentil ou no mínimo respeitar o direito de ir e vir da outra pessoa. Isto não é mérito...é obrigação; meu próximo merece respeito.
sábado, 1 de maio de 2010
Mendicância: sobrevivência ou vadiagem???
Este é um dilema que os habitantes, principalmente das grandes cidades, se defrontam diariamente. Dar ou não um troco? Se der, será que estou estimulando a vadiagem? E se realmente a pessoa está necessitada? Algumas pessoas se "resolvem": não é problema meu...é do governo...ou do próprio que não quer pegar no batente como eu...
Mas será que lá no fundo ficamos com a consciência em paz ao dizer um não??? Confesso que me incomoda.
Me lembro que Chiara Lubich, fundadora do movimento dos focolares, dizia que se deve amar a todos (está no evangelho) e neste caso significa, pelo menos, ouvir o outro e, se possível, ajudar de alguma maneira. Ela dizia: eu posso amar e dar a minha contribuição... o que o outro vai fazer com o dinheiro depende dele...diante de Deus eu procurei fazer a minha parte...
Mas sabemos que não é simples. Somos abordados diversas vezes num dia; ficamos divididos: o que é melhor? dar logo o dinheiro para me "livrar" do pedinte, dizer não, ou fazer de conta que o outro não existe?
Parar para ouvir: apesar de difícil (estamos sempre com pressa...) mas se eu paro para ouvir, posso ter uma ideia mais clara do que fazer para aquela situação.
Recebi o texto abaixo, é do Jornalista Mauro Ventura, de O Globo e me pareceu interessante,
O homem se aproxima, acompanhado do bafo de bebida.
- Posso falar um instantinho com o senhor? - pergunta.
- Só não me venha pedir dinheiro - respondo.
- Não, é que eu estava precisando completar a passagem.
- Não tenho, não - encerro a conversa, me afastando rapidamente.
Tento justificar para mim mesmo minha rispidez. Ele falou que o assunto não era financeiro, mas tratava-se obviamente de dinheiro. Além disso, cheirava a bebida. Mas nem por isso eu precisava ser tão rude.
É difícil dar alguns passos no Rio sem ser abordado por alguém. Um menino de rua, um mendigo, um entregador de folheto. Quando é dinheiro, damos alguma das seguintes desculpas clássicas, nenhuma delas plenamente justificável.
- Não tenho (em geral temos algum).
- Desculpe, estou sem trocado (ele sabe que pelo menos uma moedinha a gente deve ter).
- Fica para a próxima (como se algum dia fôssemos revê-lo).
- Vou ficar devendo (como se ele fosse cobrar depois).
- Sinto muito (como se realmente sentíssemos tanto assim).
- Tá ruim pra todo mundo (de fato, mas para ele está bem pior).
- Tá feia a coisa (está mesmo, mas não serve de consolo).
No livro "No olho da rua", Marcelo Antonio da Cunha conta que na sua infância, no Recife, a mãe ensinou-lhe a pedir desculpas aos mendigos.
- Me dê uma esmola, pelo amor de Deus.
- Perdoe-me - ele respondia.
- Amém.
Trinta anos depois, ele já tinha substituído o "perdoe-me" pelo "estou sem trocado". Seu filho quis saber por que ele mentia para os pedintes. Marcelo explicou que era para não estimular a permanência deles nas ruas.
Mas ele se tornou diretor da Fazenda Modelo, um abrigo destinado à população de rua. Ali, descobriu o inferno, e sentiu necessidade de pedir novamente perdão, pela forma como são tratados os que estão à margem.
Não chego a tanto, mas confesso que volta e meia bate uma pontinha de culpa quando fecho a cara e digo "não tenho" diante de mais um pedido.
A verdade é que ninguém está muito a fim de ouvir estranhos. Andamos tão sobressaltados que uma aproximação mais brusca já intimida. O rapaz estava no ponto de ônibus quando um mendigo se aproximou e falou algo. Antes mesmo de ouvir o que estava sendo dito, ele respondeu:
- Não tenho.
Foi uma reação automática. O homem insistiu e ele cortou novamente:
- Tô sem trocado.
Até que o desconhecido se irritou.
- O senhor escutou o que eu falei? Eu disse "bom dia e boa viagem?.
Nem todo mundo faz como uma amiga, que resolveu perguntar a um mendigo qual era o seu sonho.
- Uma porta - ele respondeu.
Parece pouco para quem está sempre com uma maçaneta à mão. Mas não para quem vive nas ruas.
Mas será que lá no fundo ficamos com a consciência em paz ao dizer um não??? Confesso que me incomoda.
Me lembro que Chiara Lubich, fundadora do movimento dos focolares, dizia que se deve amar a todos (está no evangelho) e neste caso significa, pelo menos, ouvir o outro e, se possível, ajudar de alguma maneira. Ela dizia: eu posso amar e dar a minha contribuição... o que o outro vai fazer com o dinheiro depende dele...diante de Deus eu procurei fazer a minha parte...
Mas sabemos que não é simples. Somos abordados diversas vezes num dia; ficamos divididos: o que é melhor? dar logo o dinheiro para me "livrar" do pedinte, dizer não, ou fazer de conta que o outro não existe?
Parar para ouvir: apesar de difícil (estamos sempre com pressa...) mas se eu paro para ouvir, posso ter uma ideia mais clara do que fazer para aquela situação.
Recebi o texto abaixo, é do Jornalista Mauro Ventura, de O Globo e me pareceu interessante,
O homem se aproxima, acompanhado do bafo de bebida.
- Posso falar um instantinho com o senhor? - pergunta.
- Só não me venha pedir dinheiro - respondo.
- Não, é que eu estava precisando completar a passagem.
- Não tenho, não - encerro a conversa, me afastando rapidamente.
Tento justificar para mim mesmo minha rispidez. Ele falou que o assunto não era financeiro, mas tratava-se obviamente de dinheiro. Além disso, cheirava a bebida. Mas nem por isso eu precisava ser tão rude.
É difícil dar alguns passos no Rio sem ser abordado por alguém. Um menino de rua, um mendigo, um entregador de folheto. Quando é dinheiro, damos alguma das seguintes desculpas clássicas, nenhuma delas plenamente justificável.
- Não tenho (em geral temos algum).
- Desculpe, estou sem trocado (ele sabe que pelo menos uma moedinha a gente deve ter).
- Fica para a próxima (como se algum dia fôssemos revê-lo).
- Vou ficar devendo (como se ele fosse cobrar depois).
- Sinto muito (como se realmente sentíssemos tanto assim).
- Tá ruim pra todo mundo (de fato, mas para ele está bem pior).
- Tá feia a coisa (está mesmo, mas não serve de consolo).
No livro "No olho da rua", Marcelo Antonio da Cunha conta que na sua infância, no Recife, a mãe ensinou-lhe a pedir desculpas aos mendigos.
- Me dê uma esmola, pelo amor de Deus.
- Perdoe-me - ele respondia.
- Amém.
Trinta anos depois, ele já tinha substituído o "perdoe-me" pelo "estou sem trocado". Seu filho quis saber por que ele mentia para os pedintes. Marcelo explicou que era para não estimular a permanência deles nas ruas.
Mas ele se tornou diretor da Fazenda Modelo, um abrigo destinado à população de rua. Ali, descobriu o inferno, e sentiu necessidade de pedir novamente perdão, pela forma como são tratados os que estão à margem.
Não chego a tanto, mas confesso que volta e meia bate uma pontinha de culpa quando fecho a cara e digo "não tenho" diante de mais um pedido.
A verdade é que ninguém está muito a fim de ouvir estranhos. Andamos tão sobressaltados que uma aproximação mais brusca já intimida. O rapaz estava no ponto de ônibus quando um mendigo se aproximou e falou algo. Antes mesmo de ouvir o que estava sendo dito, ele respondeu:
- Não tenho.
Foi uma reação automática. O homem insistiu e ele cortou novamente:
- Tô sem trocado.
Até que o desconhecido se irritou.
- O senhor escutou o que eu falei? Eu disse "bom dia e boa viagem?.
Nem todo mundo faz como uma amiga, que resolveu perguntar a um mendigo qual era o seu sonho.
- Uma porta - ele respondeu.
Parece pouco para quem está sempre com uma maçaneta à mão. Mas não para quem vive nas ruas.
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
PROFISSÃO INVISÍVEL
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'.
Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
(Plínio Delphino, Diário de São Paulo.)
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
Veja o texto completo no "Psicologia e Vida"
Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.
(Plínio Delphino, Diário de São Paulo.)
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
Veja o texto completo no "Psicologia e Vida"
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Temos alternativas à competição?
Vivemos num mundo individualizante...cada um na sua e o outro...vemos no cotidiano prevalecer a lei de Gerson; aliás não tenho nada contra ele, mas o levar vantagem em tudo obviamente que transforma as relações pessoais em jogos de ganha-perde.
Mas tem que ser assim? temos que viver em competição uns com os outros?
Será que hoje não tem mais espaço para a cooperação, para a gentileza, para a gratuidade?
Isto olhando do ponto de vista da sociedade, mas as empresas? é possível desenvolver atitudes empresariais fraternas, sobreviver num mundo globalizado, mas mantendo valores e princípios éticos?
Parece impossível, mas o próprio John Nash, prêmio nobel em economia afirmou: Adam Smith está errado.
Se tiver interesse no assunto veja o vídeo anexo e tire suas conclusões:
http://www.youtube.com/watch?v=U8BiV1v_Oa8>
Mas tem que ser assim? temos que viver em competição uns com os outros?
Será que hoje não tem mais espaço para a cooperação, para a gentileza, para a gratuidade?
Isto olhando do ponto de vista da sociedade, mas as empresas? é possível desenvolver atitudes empresariais fraternas, sobreviver num mundo globalizado, mas mantendo valores e princípios éticos?
Parece impossível, mas o próprio John Nash, prêmio nobel em economia afirmou: Adam Smith está errado.
Se tiver interesse no assunto veja o vídeo anexo e tire suas conclusões:
http://www.youtube.com/watch?v=U8BiV1v_Oa8>
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economia de comunhão,
valores
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Reflexão
Porque criei este blog? Eu o vejo como um espaço para reflexão. Refletir sobre o que? Sobre a vida, sobre o cotidiano, sobre a origem da existência, e por aí afora...
Isto se aproxima um pouco da arte de filosofar, mas não tenho pretensão de ser filósofo. Meu interesse está mais próximo de “desvelar”, no sentido de tirar o véu. Tudo o que vemos pode ser visto de outra(s) forma(s), como se tirássemos um véu e pudéssemos dizer: oh!!! ou ah!!!. O primeiro estaria mais próximo do espanto ou da surpresa e, novamente, estamos dentro do campo da filosofia. Mas o ah!!! tem a ver com a compreensão, o entendimento e aí, além da filosofia, nos aproximamos de outras ciências humanas. Se eu compreendo algo sobre mim mesmo, minha vida, meus comportamentos, minhas atitudes, então estou dentro do campo da psicologia.
Mas se o meu ah!!! tem a ver com uma compreensão do que acontece com a vida em comunidade, ou na sociedade, ou no relacionamento dos homens entre eles e/ou com as coisas nos aproximamos da sociologia.
Não sou sociólogo, embora tenha lido alguns livros e artigos. Prefiro ficar como alguém que reflete, que pensa sobre a humanidade, seus costumes, suas crenças, seus hábitos, etc.
Porém mesmo sem querer é difícil refletir, questionar, sem se aproximar da filosofia. Vejamos esta historinha:
É muito significativa a a história de Sofia e Ana, sua irmã mais nova. Um dia, elas foram ao pomar colher amoras para sua mãe e chegando lá viram amoras pequenas e mirradas. Ana colheu algumas amoras pequenas enquanto Sofia seguia adiante à procura de amoras melhores. Ana queria voltar logo para casa por isso estava aborrecida com a viagem. Andaram uns minutos e chegaram a um lugar onde havia mais amoras, bem melhores que as primeiras, e assim paravam, colhiam e seguiam andando. Quanto mais avançavam, descobriam vegetações de amoras cada vez mais apetitosas. Em cada parada, Ana sempre dizia que já bastava, mas Sofia a incentivava a seguir adiante dizendo: "Vamos tentar encontrar amoras melhores que estas. Deve haver mais logo adiante". Assim, impaciente e contrafeita, Ana seguia Sofia até que chegaram a um lugar onde viram amoras gigantes, tão grandes e suculentas que mais pareciam maçãs. Maravilhada com aquele achado, Ana, começou a colher as amoras maravilhoras dizendo: "Como você sabia que essas amoras eram melhores que as outras? "Eu não sabia", respondeu Sofia despreocupadamente. Preocupada em encher o cesto, Ana não percebeu a ausência de Sofia, mas quando levantou os olhos viu que sua irmã embrenhava-se pomar adentro. "Sofia", gritou Ana medrosa e impaciente, pois os primeiros raios avermelhados do crepúsculo já começavam a aparecer, "o que você está olhando aí? Vamos logo, o cesto já está cheio, já é tarde, mamãe deve estar preocupada...". Sem parar de caminhar, Sofia disse como que para si mesma: "Se chegamos aqui e até achamos amoras gigantes... Eu preciso saber que tipo de amoras iremos encontrar agora."
Ana é a ciência. Sofia é a Filosofia. As amoras são as respostas, as descobertas. Uma valoriza o acúmulo das descobertas e por isso contenta-se em possuir o achado. A outra vê na própria busca o sentido da viagem. A filosofia não ama as respostas mas as perguntas (autor desconhecido).
Gostaram? Eu gostei...então, benvinda a filosofia...
Isto se aproxima um pouco da arte de filosofar, mas não tenho pretensão de ser filósofo. Meu interesse está mais próximo de “desvelar”, no sentido de tirar o véu. Tudo o que vemos pode ser visto de outra(s) forma(s), como se tirássemos um véu e pudéssemos dizer: oh!!! ou ah!!!. O primeiro estaria mais próximo do espanto ou da surpresa e, novamente, estamos dentro do campo da filosofia. Mas o ah!!! tem a ver com a compreensão, o entendimento e aí, além da filosofia, nos aproximamos de outras ciências humanas. Se eu compreendo algo sobre mim mesmo, minha vida, meus comportamentos, minhas atitudes, então estou dentro do campo da psicologia.
Mas se o meu ah!!! tem a ver com uma compreensão do que acontece com a vida em comunidade, ou na sociedade, ou no relacionamento dos homens entre eles e/ou com as coisas nos aproximamos da sociologia.
Não sou sociólogo, embora tenha lido alguns livros e artigos. Prefiro ficar como alguém que reflete, que pensa sobre a humanidade, seus costumes, suas crenças, seus hábitos, etc.
Porém mesmo sem querer é difícil refletir, questionar, sem se aproximar da filosofia. Vejamos esta historinha:
É muito significativa a a história de Sofia e Ana, sua irmã mais nova. Um dia, elas foram ao pomar colher amoras para sua mãe e chegando lá viram amoras pequenas e mirradas. Ana colheu algumas amoras pequenas enquanto Sofia seguia adiante à procura de amoras melhores. Ana queria voltar logo para casa por isso estava aborrecida com a viagem. Andaram uns minutos e chegaram a um lugar onde havia mais amoras, bem melhores que as primeiras, e assim paravam, colhiam e seguiam andando. Quanto mais avançavam, descobriam vegetações de amoras cada vez mais apetitosas. Em cada parada, Ana sempre dizia que já bastava, mas Sofia a incentivava a seguir adiante dizendo: "Vamos tentar encontrar amoras melhores que estas. Deve haver mais logo adiante". Assim, impaciente e contrafeita, Ana seguia Sofia até que chegaram a um lugar onde viram amoras gigantes, tão grandes e suculentas que mais pareciam maçãs. Maravilhada com aquele achado, Ana, começou a colher as amoras maravilhoras dizendo: "Como você sabia que essas amoras eram melhores que as outras? "Eu não sabia", respondeu Sofia despreocupadamente. Preocupada em encher o cesto, Ana não percebeu a ausência de Sofia, mas quando levantou os olhos viu que sua irmã embrenhava-se pomar adentro. "Sofia", gritou Ana medrosa e impaciente, pois os primeiros raios avermelhados do crepúsculo já começavam a aparecer, "o que você está olhando aí? Vamos logo, o cesto já está cheio, já é tarde, mamãe deve estar preocupada...". Sem parar de caminhar, Sofia disse como que para si mesma: "Se chegamos aqui e até achamos amoras gigantes... Eu preciso saber que tipo de amoras iremos encontrar agora."
Ana é a ciência. Sofia é a Filosofia. As amoras são as respostas, as descobertas. Uma valoriza o acúmulo das descobertas e por isso contenta-se em possuir o achado. A outra vê na própria busca o sentido da viagem. A filosofia não ama as respostas mas as perguntas (autor desconhecido).
Gostaram? Eu gostei...então, benvinda a filosofia...
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