sábado, 18 de maio de 2013

CELULAR - mania ou necessidade?

Impressionante como se tornou em pouco tempo um acessório tão importante, utilizado em praticamente qualquer lugar e por todos, inclusive crianças.
É usado na rua, no elevador, no ônibus, nos ambientes de trabalho; criam embaraços em reuniões, consultas médicas, salas de aula, simpósios e até cerimônias religiosas.
Prá começar, quem não faz uso dele em quase todos estes lugares?
Também me incluo nessa lista.
Mas será que não estamos exagerando? Olhar e até digitar na rua, em escadas, ruas movimentadas, faixas de pedestres, dirigindo veículos... pode-se correr sérios riscos (uma queda, um acidente, um roubo...)
Costumo ir e voltar na barca Rio x Niterói. É impressionante a quantidade de pessoas digitando ou falando ao celular, principalmente jovens, mas não só, gente de todas as idades.
Outro dia fui a uma consulta médica e na sala de espera tinha um casal com duas crianças. Uma delas, um garoto, pequenino, jogando um game no celular. Não resisti e perguntei aos pais: que idade ele tem? A mãe respondeu: fez dois anos, mas aprendeu a jogar antes e disse com orgulho.
Obviamente estamos lidando com uma geração diferente, chamada por alguns autores como geração z.
Volto à pergunta: será que não estamos exagerando?
Para mim estamos, ou seja, precisamos nos questionar sobre como seria um uso razoável e disciplinar seu uso, seja para adultos ou crianças.
Outro ponto, para mim desagradável: algumas pessoas falam tão alto, sobre qualquer assunto... falta de respeito. Afinal, não somos obrigados a ficar ouvindo alguém falando e até berrando baboseiras ao celular. Sei que às vezes a ligação está ruim e se fala mais alto, mas me parece que se perdeu a sensibilidade do próximo, do direito de se viajar tranquilo e sem aborrecimento.
Mais uma coisa: e aquele tipo de celular irritante que fica toda hora dando um apito? Ninguém merece... como diz o carioca.
Mas é o ônus do progresso tecnológico e da nossa perda de respeito em relação ao próximo. É urgente que, a partir de nós, de cada um, se reflita sobre o assunto e de como moderar esse uso.
O celular quebrou a barreira da comunicação à distância, mas penso que este tipo de comunicação se tornou excessivo, e pode acabar  restringindo muito a comunicação mais eficaz: a interpessoal, a do olho no olho, que pode se tornar até mais rara e por isso mesmo, mais difícil.
Chegamos ao cúmulo de trocar mensagens por celular com pessoas que estão no mesmo ambiente.
Talvez os mais antigos se lembrem do ditado popular: "Quem nunca comeu melado quando come se lambuza".
Acho que estamos nos lambuzando...

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Afinal, sou livre para fazer o que quiser???


Segue citações do sociólogo Peter Berger, extraida de seu livro: "Perspectivas Sociológicas: uma visão humanística"

"A sociedade, como fato objetivo e externo, manifesta-se sobretudo na forma de coerção. Suas instituições moldam nossas ações e até mesmo nossas expectativas. Recompensam-nos na medida em que nos ativermos a nossos papéis. Se saímos fora desses papéis, a sociedade dispõe de um número quase infinito de meios de controle e coerção. As sanções da sociedade são capazes, a todo momento da existência, de nos isolar entre os outros homens, expor-nos ao ridículo, privar-nos de nosso sustento e nossa liberdade e, em último recurso, privar-nos da própria vida. A lei e a moralidade da sociedade podem apresentar complexas justificativas para cada uma dessas sanções, e a maioria de nossos concidadãos aprovará que sejam usadas contra nós como castigo por nosso desvio. Finalmente estamos localizados na sociedade não só no espaço, como também no tempo. Nossa sociedade constitui uma entidade histórica que se estende temporariamente além de qualquer biografia individual. A sociedade nos precedeu e sobreviverá a nós. Nossas vidas não são mais que episódios em sua marcha majestosa pelo tempo. Em suma, a sociedade constitui as paredes de nosso encarceramento na história."

Gostou? Então leia este outro trecho magnífico:

“Vemos as marionetes dançando no palco minúsculo, movendo-se de um lado para outro levadas pelos cordões, seguindo as marcações de seus pequeninos papéis. Aprendemos a compreender a lógica desse teatro e nos encontramos nele. Localizamo-nos na sociedade e assim reconhecemos nossa própria posição, determinada por fios sutis. Por um momento vemo-nos realmente como fantoches. De repente,porém, percebemos uma diferença decisiva entre o teatro de bonecos e nosso próprio drama. Ao contrário dos bonecos, temos a possibilidade de interromper nossos movimentos, olhando para o alto e divisando o mecanismo que nos moveu. Este ato constitui o primeiro passo para a liberdade” (BERGER, 1986, p. 193).

E daí? então não temos autonomia para nossas ações? não somos livres de fazer o que quisermos?

Absolutamente NÃO!!! A sociedade, nossos grupos: família, colegas de trabalho ou estudo, até nossos amigos nos impõe restrições à certas atitudes que não são aceitas ou não ficam bem no grupo, bem como, estímulando a agir de determinadas maneiras.

Por outro lado, podemos fazer coisas diferentes, assumindo certos riscos, óbvio... mas para isto temos que abrir os olhos para o que occorre a nossa volta e mais além um pouco.

Continuaremos o assunto em outro post.