Trabalhar no RH após meu curso de administração se tornou um objetivo, face à identificação que eu tive com o assunto. Bem mais tarde, já trabalhando nessa área descobri minha ingenuidade.
A área de RH é muito atraente, pois enuncia como um de seus principais objetivos atrair e reter talentos. Na prática constatei que essa área carrega um fardo pesado: embora procure difundir essa imagem é constrangida a adotar o discurso da alta administração da cia, obviamente encobrindo seus aspectos negativos. Por exemplo: negociando condições de trabalho pouco condizantes com seu objetivo, implantando uma política de remuneração variada que acaba por beneficiar uns poucos e frustrando uma grande maioria que não é contemplada, etc.
Domingo ouvi uma entrevista pela CBN: a presidente da ABRH afirmou que a legislação prejudica a mulher, pois ao implantar uma licença maternidade de 6 meses acaba por prejudicar a profissional, que após esse tempo está totalmente defasada do mercado e de suas mudanças, que são rápidas. Ela falou de mães que após um mês estão ansiosas por voltar ao trabalho para não ficarem para trás. Não é uma beleza????
Ela afirmava que estas são características da "geração y", ou seja, pessoas nascidas após 1980 e que são integradas às novas tecnologias de comunicação. Obviamente isto se refere a um nível de pessoas com melhor poder aquisitivo e maior nível escolar, muitas vezes com pós, mestrado, doutorado...Provavelmente quem não tem esta condição está condenado à um trabalho (se tiver) de segunda ou terceira classe, tendo que se sujeitar ao que resta no mercado ou a postos de baixo poder aquisitivo.
Pois bem: talvez (na visão desta senhora) a ciência deveria descobrir um meio de desenvolver e emancipar a criança mais rápido, libertando a mulher deste tipo de inconveniente.
Eu pergunto: estamos evoluindo ou involuindo? Afinal a tecnologia deveria estar a serviço do ser humano e não para escravizá-lo.
Penso que é urgente o RH repensar seus propósitos e suas práticas: por um lado, adota de vez o discurso da administração e para de dissimular ou, por outro lado, procura, de verdade, influenciá-la para que se mantenha alinhada com seus valores, mesmo correndo o risco do desgaste de contrariar seus gestores ou donos.
Quem já não ouviu esta frase tão sintomática: "já vi este filme", o quer dizer: isto é blá, blá, blá.
Só que esta atitude é muito difícil. A hierarquia, principalmente nos países de lingua latina, é muito forte e não admite contrariar os donos do poder. Lembram-se do ditado: "manda quem pode e obedece quem tem juizo"???
Ele permanece muito atual, apesar de todo uma pensamento evoluído que os gurus de RH procuram mostrar. Procurem ler algum livro de Roberto DaMatta, Betânia Tanure ou outros autores que mostram qual é o estilo brasileiro de administrar: descobriremos que a possibilidade do RH influenciar é muito pequena, mas não impossível.
Empresas ligadas à Economia de Comunhão possuem uma filosofia de trabalho diferente onde o empregado é valorizado e colocado em primeiro plano. Certamente a área de RH dessas empresas têm condição de realizar um trabalho diferenciado.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A mídia e a ridicularização de pessoas
Li na revista Cidade Nova de agosto/2010 um artigo do Luis Henrique Marques - Mídia em pauta, com uma citação da jornalista Ana Cristina Hermano, chamando a atenção para a exposição e ridicularização de pessoas diferentes ou fora de padrões dos beleza convencionados socialmente, chegando até a explorar condições físicas como anões, desdentados, etc.
Também sou contra este tipo de programação da mídia usado como forma de atrair o público e melhorar seu índice no Ibope. Mas porque o prazer ou a curiosidade dos expectadores com tal exposição? Esse assunto é de tal forma complexo que merece uma análise.
Poderíamos dizer que o brasileiro, principalmente das camadas mais baixas, tem pouco estudo e prefere, por ignorância, tal tipo de programa; mas, vamos devagar; jovens de classe alta ou média alta também são atraídos por programas como Pânico na TV, por exemplo. Como explicar?
Obviamente não tenho a pretensão nem capacidade para fazer uma análise sociológica, mas posso tecer algumas considerações. O brasileiro, em geral, sempre gostou de programas tipo chanchada ou besteirol: os mais antigos lembram de Oscarito e Grande Otelo; depois artistas como Ronald Golias, Didi, Mussum, etc. Normalmente piadas simples e, principalmente, a gozação do outro: do parceiro, do vizinho, etc.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, afirma que a vida em sociedade é um constante processo de diferenciação: se sou diferente tenho a minha identidade e se sou diferente, sou melhor que o outro. Se eu zombo ou "gozo" do outro, me coloco numa relação como superior (sou diferente, eu não sou assim, não sou otário, obviamente estou em vantagem, como diria um famoso futebolista).
Existem também outros fatores como a curiosidade, mas a condição de se sentir superior ao outro é um fator interessante. Quem já assistiu ao Pânico na TV talvez se lembre que tinha um quadro que era as "sandálias da humildade", cujo objetivo era fazer com que algum personagem ilustre, arrrogante ou presunçoso, calçasse as sandálias, o que era comemorado efusivamente pelos atores Vesgo e Silvio. Provavelmente os telespectadores vibravam também com o feito (me lembro uma vez do Jô Soares). Este programa no início, apesar de algumas apelações, era criativo e tinha quadros interessantes, porém sempre na linha de zombar ou ridicularizar alguém.
Aos poucos o programa se tornou mais apelação, perdeu a criatividade e muitas pessoas não se interessaram mais em vê-lo.
Um famoso antropólogo brasileiro, Roberto DaMatta, faz um constraste entre a casa e a rua: a casa é o lugarde pessoas que me querem bem e em quem posso confiar, enquanto a rua é um lugar perigoso, tenho que estar alerta, é o lugar da concorrência, onde nao se pode confiar no outro. Talvez isto explique um pouco a situação: se o outro na TV, ou seja na "rua", é gozado, estou em situação de vantagem, estou em casa e posso rir a vontade do outro que está na "rua".
Bem, há muitas explicações possíveis e pode ser que alguns não concordem com meus argumentos. Há uma música do Chico Buarque muito bacana(seu pai, Sérgio Buarque, foi um escritor famoso brasileiro, que escreveu, por exemplo: "Raízes do Brasil", um clássico da literatura). Pois bem, o Chico fez uma canção com uma letra provocativa, que, acredito, mostra um pouco como o brasileiro é um tipo gozador, até consigo próprio.
Cassia Eller, numa interpretação magistral, canta "partido alto"... vale a pena ver
Também sou contra este tipo de programação da mídia usado como forma de atrair o público e melhorar seu índice no Ibope. Mas porque o prazer ou a curiosidade dos expectadores com tal exposição? Esse assunto é de tal forma complexo que merece uma análise.
Poderíamos dizer que o brasileiro, principalmente das camadas mais baixas, tem pouco estudo e prefere, por ignorância, tal tipo de programa; mas, vamos devagar; jovens de classe alta ou média alta também são atraídos por programas como Pânico na TV, por exemplo. Como explicar?
Obviamente não tenho a pretensão nem capacidade para fazer uma análise sociológica, mas posso tecer algumas considerações. O brasileiro, em geral, sempre gostou de programas tipo chanchada ou besteirol: os mais antigos lembram de Oscarito e Grande Otelo; depois artistas como Ronald Golias, Didi, Mussum, etc. Normalmente piadas simples e, principalmente, a gozação do outro: do parceiro, do vizinho, etc.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, afirma que a vida em sociedade é um constante processo de diferenciação: se sou diferente tenho a minha identidade e se sou diferente, sou melhor que o outro. Se eu zombo ou "gozo" do outro, me coloco numa relação como superior (sou diferente, eu não sou assim, não sou otário, obviamente estou em vantagem, como diria um famoso futebolista).
Existem também outros fatores como a curiosidade, mas a condição de se sentir superior ao outro é um fator interessante. Quem já assistiu ao Pânico na TV talvez se lembre que tinha um quadro que era as "sandálias da humildade", cujo objetivo era fazer com que algum personagem ilustre, arrrogante ou presunçoso, calçasse as sandálias, o que era comemorado efusivamente pelos atores Vesgo e Silvio. Provavelmente os telespectadores vibravam também com o feito (me lembro uma vez do Jô Soares). Este programa no início, apesar de algumas apelações, era criativo e tinha quadros interessantes, porém sempre na linha de zombar ou ridicularizar alguém.
Aos poucos o programa se tornou mais apelação, perdeu a criatividade e muitas pessoas não se interessaram mais em vê-lo.
Um famoso antropólogo brasileiro, Roberto DaMatta, faz um constraste entre a casa e a rua: a casa é o lugarde pessoas que me querem bem e em quem posso confiar, enquanto a rua é um lugar perigoso, tenho que estar alerta, é o lugar da concorrência, onde nao se pode confiar no outro. Talvez isto explique um pouco a situação: se o outro na TV, ou seja na "rua", é gozado, estou em situação de vantagem, estou em casa e posso rir a vontade do outro que está na "rua".
Bem, há muitas explicações possíveis e pode ser que alguns não concordem com meus argumentos. Há uma música do Chico Buarque muito bacana(seu pai, Sérgio Buarque, foi um escritor famoso brasileiro, que escreveu, por exemplo: "Raízes do Brasil", um clássico da literatura). Pois bem, o Chico fez uma canção com uma letra provocativa, que, acredito, mostra um pouco como o brasileiro é um tipo gozador, até consigo próprio.
Cassia Eller, numa interpretação magistral, canta "partido alto"... vale a pena ver
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tempos de destruição (2) - conheça a história de Ilena Sendler
2/05/2008 - 21h32
Morre Irena Sendler, que salvou 2.500 crianças judias durante Holocausto
France Presse, em Varsóvia
“ A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade. - Irena Sendler ”
Uma das grandes heroínas polonesas da Segunda Guerra Mundial, Irena Sendler, que salvou a 2.500 crianças judias do gueto de Varsóvia, morreu nesta segunda-feira aos 98 anos.
"Morreu hoje", declarou à agência France Presse sua filha, Janina Zgrzembska, sem dar mais detalhes sobre o falecimento da mulher que gostava de recordar que a "educaram a partir da crença de que se deve salvar as pessoas não importa a religião ou nacionalidade".
Nascida em 1910, Irena Sendler foi uma desconhecida durante muitos anos para os poloneses.
O mesmo acontecera com Oskar Schindler, que morreu na pobreza na Alemanha antes da façanha de ter salvo os funcionários judeus de sua fábrica ser levada ao cinema por Steven Spielberg.
Apenas em março de 2007 a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz.
No entanto, o memorial israelense do Holocausto, o Yad Vashem, lhe entregou em 1965 o título de Justo entre Nações, destinado aos não-judeus que salvaram judeus.
Varsóvia
Assistente social, Irena Sendler trabalhava antes da guerra com famílias judias pobres de Varsóvia, a primeira metrópole judia da Europa, onde viviam 400 mil dos 3,5 milhões de judeus de toda a Polônia.
A partir do outono de 1940, passou a correr muitos riscos ao fornecer alimentos, roupas e medicamentos aos moradores do gueto instalado pelos nazistas.
No fim do verão de 1942, Irena Sendler se uniu ao movimento de resistência Zegota, (Conselho de Ajuda aos Judeus).
A polonesa conseguiu retirar de maneira clandestina milhares de crianças do gueto e as alojava entre famílias católicas e conventos.
"Fomos testemunhas de cenas infernais quando o pai estava de acordo, mas a mãe não", comentou a um site na internet dedicado a ela (www.dzieciholocaustu.pl).
As crianças eram escondidas em maletas e retiradas por bombeiros ou em caminhões de lixo. Em alguns casos chegavam a ser escondidas dentro dos abrigos de pessoas que tinham autorização para entrar no gueto.
Prisão
Sendler foi presa em sua casa em 20 de outubro de 1943.
Durante o período em que ficou detida no quartel-general de Gestapo, foi torturada pelos nazistas que quebraram seus pés e pernas. Ainda assim, ela não deu informações. Logo depois, foi condenada à morte, mas milagrosamente foi salva quando a conduziam à execução por um oficial alemão que a resistência polonesa conseguiu corromper.
Sendler continuou sua luta clandestina sob uma nova identidade até o final da guerra, trabalhando como supervisora de orfanatos e asilos em seu país.
Nunca se considerou uma heroína. "Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco", declarou.
Devido ao seu estado de saúde delicado, Irena Sendler não participou da cerimônia que lhe homenageou em 2007, mas enviou uma sobrevivente, salva por ela em um gueto quando bebê, em 1942, para ler uma carta em se nome.
"Convoco todas as pessoas generosas ao amor, à tolerância e à paz, não somente em tempos de guerra, mas também em tempos de paz", escreveu.
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