Impressionante como se tornou em pouco tempo um acessório tão importante, utilizado em praticamente qualquer lugar e por todos, inclusive crianças.
É usado na rua, no elevador, no ônibus, nos ambientes de trabalho; criam embaraços em reuniões, consultas médicas, salas de aula, simpósios e até cerimônias religiosas.
Prá começar, quem não faz uso dele em quase todos estes lugares?
Também me incluo nessa lista.
Mas será que não estamos exagerando? Olhar e até digitar na rua, em escadas, ruas movimentadas, faixas de pedestres, dirigindo veículos... pode-se correr sérios riscos (uma queda, um acidente, um roubo...)
Costumo ir e voltar na barca Rio x Niterói. É impressionante a quantidade de pessoas digitando ou falando ao celular, principalmente jovens, mas não só, gente de todas as idades.
Outro dia fui a uma consulta médica e na sala de espera tinha um casal com duas crianças. Uma delas, um garoto, pequenino, jogando um game no celular. Não resisti e perguntei aos pais: que idade ele tem? A mãe respondeu: fez dois anos, mas aprendeu a jogar antes e disse com orgulho.
Obviamente estamos lidando com uma geração diferente, chamada por alguns autores como geração z.
Volto à pergunta: será que não estamos exagerando?
Para mim estamos, ou seja, precisamos nos questionar sobre como seria um uso razoável e disciplinar seu uso, seja para adultos ou crianças.
Outro ponto, para mim desagradável: algumas pessoas falam tão alto, sobre qualquer assunto... falta de respeito. Afinal, não somos obrigados a ficar ouvindo alguém falando e até berrando baboseiras ao celular. Sei que às vezes a ligação está ruim e se fala mais alto, mas me parece que se perdeu a sensibilidade do próximo, do direito de se viajar tranquilo e sem aborrecimento.
Mais uma coisa: e aquele tipo de celular irritante que fica toda hora dando um apito? Ninguém merece... como diz o carioca.
Mas é o ônus do progresso tecnológico e da nossa perda de respeito em relação ao próximo. É urgente que, a partir de nós, de cada um, se reflita sobre o assunto e de como moderar esse uso.
O celular quebrou a barreira da comunicação à distância, mas penso que este tipo de comunicação se tornou excessivo, e pode acabar restringindo muito a comunicação mais eficaz: a interpessoal, a do olho no olho, que pode se tornar até mais rara e por isso mesmo, mais difícil.
Chegamos ao cúmulo de trocar mensagens por celular com pessoas que estão no mesmo ambiente.
Talvez os mais antigos se lembrem do ditado popular: "Quem nunca comeu melado quando come se lambuza".
Acho que estamos nos lambuzando...
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