sexta-feira, 23 de abril de 2010

Reflexão

Porque criei este blog? Eu o vejo como um espaço para reflexão. Refletir sobre o que? Sobre a vida, sobre o cotidiano, sobre a origem da existência, e por aí afora...
Isto se aproxima um pouco da arte de filosofar, mas não tenho pretensão de ser filósofo. Meu interesse está mais próximo de “desvelar”, no sentido de tirar o véu. Tudo o que vemos pode ser visto de outra(s) forma(s), como se tirássemos um véu e pudéssemos dizer: oh!!! ou ah!!!. O primeiro estaria mais próximo do espanto ou da surpresa e, novamente, estamos dentro do campo da filosofia. Mas o ah!!! tem a ver com a compreensão, o entendimento e aí, além da filosofia, nos aproximamos de outras ciências humanas. Se eu compreendo algo sobre mim mesmo, minha vida, meus comportamentos, minhas atitudes, então estou dentro do campo da psicologia.
Mas se o meu ah!!! tem a ver com uma compreensão do que acontece com a vida em comunidade, ou na sociedade, ou no relacionamento dos homens entre eles e/ou com as coisas nos aproximamos da sociologia.
Não sou sociólogo, embora tenha lido alguns livros e artigos. Prefiro ficar como alguém que reflete, que pensa sobre a humanidade, seus costumes, suas crenças, seus hábitos, etc.
Porém mesmo sem querer é difícil refletir, questionar, sem se aproximar da filosofia. Vejamos esta historinha:
É muito significativa a a história de Sofia e Ana, sua irmã mais nova. Um dia, elas foram ao pomar colher amoras para sua mãe e chegando lá viram amoras pequenas e mirradas. Ana colheu algumas amoras pequenas enquanto Sofia seguia adiante à procura de amoras melhores. Ana queria voltar logo para casa por isso estava aborrecida com a viagem. Andaram uns minutos e chegaram a um lugar onde havia mais amoras, bem melhores que as primeiras, e assim paravam, colhiam e seguiam andando. Quanto mais avançavam, descobriam vegetações de amoras cada vez mais apetitosas. Em cada parada, Ana sempre dizia que já bastava, mas Sofia a incentivava a seguir adiante dizendo: "Vamos tentar encontrar amoras melhores que estas. Deve haver mais logo adiante". Assim, impaciente e contrafeita, Ana seguia Sofia até que chegaram a um lugar onde viram amoras gigantes, tão grandes e suculentas que mais pareciam maçãs. Maravilhada com aquele achado, Ana, começou a colher as amoras maravilhoras dizendo: "Como você sabia que essas amoras eram melhores que as outras? "Eu não sabia", respondeu Sofia despreocupadamente. Preocupada em encher o cesto, Ana não percebeu a ausência de Sofia, mas quando levantou os olhos viu que sua irmã embrenhava-se pomar adentro. "Sofia", gritou Ana medrosa e impaciente, pois os primeiros raios avermelhados do crepúsculo já começavam a aparecer, "o que você está olhando aí? Vamos logo, o cesto já está cheio, já é tarde, mamãe deve estar preocupada...". Sem parar de caminhar, Sofia disse como que para si mesma: "Se chegamos aqui e até achamos amoras gigantes... Eu preciso saber que tipo de amoras iremos encontrar agora."
Ana é a ciência. Sofia é a Filosofia. As amoras são as respostas, as descobertas. Uma valoriza o acúmulo das descobertas e por isso contenta-se em possuir o achado. A outra vê na própria busca o sentido da viagem. A filosofia não ama as respostas mas as perguntas (autor desconhecido).

Gostaram? Eu gostei...então, benvinda a filosofia...

Um comentário:

  1. Legal, Marcio!
    Bela a imagem de Sofia como quem "vê na própria busca o sentido da viagem". Se posso acrescentar algo à reflexão, penso que hoje corremos o risco de viver uma "perversão" (talvez não seja palavra adequada) das duas (Ana e Sofia): nossa sociedade valoriza o acúmulo das descobertas, mas sem saborear o que já conquistou, se lança numa incessante produção de conhecimento que a certo ponto, valorizado em si, perde o sentido, deixa de ser sabedoria.
    Parabéns pelo blog e um abração!
    Marcello Benites

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