Veja o vídeo abaixo e responda a pergunta: "ele se aplica ao seu ambiente de trabalho?"
Provavelmente sim; porém a aplicacão de experimentos com animais nem sempre se aplica à humanos. Porquê? Vamos analisar de um ponto de vista sociológico.
A questão da mudança ou da ação tem algumas correntes sociológicas que se situam em pontos opostos:
1) De um lado autores que enfatizam a preponderância do meio, as normas, convenções e constragimentos externos que deixam pouca ou quase nenhuma margem de ação para os indivíduos. São correntes expressivas deste pensamento o funcionalismo e o estruturalismo.
2) De outro, autores que acreditam que o ser humano é livre para, racionalmente e de forma reflexiva, tomar as decisões que acredita sejam as melhores para aquela situação. Podemos mencionar, entre outras, a fonomenologia, o individualismo metodológico, o interacionismo simbólico, a etnometodologia, etc.
Alguns autores tais como Giddens e Bourdieu têm procurado ir além dos limites destas duas concepções, procurando encontrar respostas para a ação que levem em conta as restrições exteriores, mas também o subjetivismo ou as intenções do indivíduo.
No desenho os macaquinhos, após serem condicionados, adquirem um hábito de surrar qualquer macaco que ouse subir na escada, fruto anterior de muitas chuveiradas, que provocaram uma associação: subir na escada para pegar bananas = ducha de água fria. Com o decorrer do tempo não era mais necessário o estímulo, pois os bichinhos haviam introjetado a condição: subiu = apanhou.
Com seres humanos podem acontecer coisas semelhantes? Sim, principalmente quando existem hábitos arraigados que não são questionados, porém persiste sempre a liberdade de questionar e, com muito ou pouco esforço, mudar situações.
Devo ressaltar que no ambiente de trabalho é, muitas vezes, difícil mudar o pensamento ou as formas de se fazerem as coisas. É comum ver pessoas que fazem algum curso, principalmente em áreas como gestão ou liderança voltarem com idéias de revolucionar o ambiente de trabalho. Dentro de poucas semanas ou dias, provavelmente, o indivíduo já terá percebido que existem forças dentro da organização que reagem negativamente à mudanças, seja por medo, por desconhecimento ou por interesse de manter as coisas como estão (por exemplo, detentores de posições de poder que poderão se sentir ameaçados).
Porém, é possível para o agente começar com uma mudança pessoal(que também não é fácil) e ir conseguindo adeptos para suas idéias, visando a implantação.
Em se falando de mudança cultural alguns antropólogos, como Clifford Geertz, acreditam que é possível diagnosticá-la, porém mudá-la de forma intencional é quase impossível, pois a cultura depende de restrições do contexto e das ações de uma série de agentes, não sendo possível monitorá-las ou direcioná-las.
Outros como Edgard Shein concordam que é muito difícil a mudança, mas possível, tendo o líder um papel importante para definir uma direção (visão), assumindo pessoalmente a implantação e cobrando resultados, até que as pessoas tenham incorporado a nova forma de compreender e fazer as coisas, definindo assim uma nova cultura.
Particularmente acho muito difícil grandes mudanças, mas não impossível, basta vermos exemplos na humanidade como as ações de Gandhi, Mandella, Madre Tereza e outros.
Mas no nosso cotidiano podemos ousar mudar; às vezes precisamos quebrar paradígmas e muita força de vontade para, através da nossa ação e desenvolvendo habilidades para envolver outros nessa empreitada, conseguir mudanças efetivas.
Pai,
ResponderExcluirApesar de trabalhar na administração pública, que historicamente criou uma fama de burocrática, lenta, atrasada etc, tenho visto muitos esforços desde que entrei aqui num sentido de modernização e implementação de boas práticas que vem trazendo efeitos benéficos para a sociedade e também para o nosso dia a dia. E vemos essas iniciativas vindo tanto das altas chefias como de instâncias intermediárias, então acabamos criando uma cultura que facilita a discussão e implementação de mudanças. Talvez muito disso se deva às exigências atuais para conseguir ingressar na área pública, com os cada vez mais concorridos concursos, e uma boa remuneração e demais incentivos, tendo assim funcionários de alto nível que valorizam suas carreiras e não medem esforços para aperfeiçoá-las.
É bom saber que há esforços de melhoria também na administração publica. Oxalá outros estados e prefeituras sigam o exemplo.
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