segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tempos de destruição... brota a esperança!!!

1914 e 1939 - duas grandes guerras mundiais; em meio a tantas mortes e destruição, é possível descobrir sementes de esperança?

Mas, voltemos um pouco no tempo:

Primeira grande guerra mundial – 1914 a 1917

O processo de partilha das colônias da África e Ásia no final do século XIX deixou perdas e ganhos: países, como a França e a Inglaterra, exploravam colônias ricas em matérias-primas e tinham um grande mercado consumidor; outros, como Alemanha e Itália, foram alijados dessa partilha o que gerou grande insatisfação, podendo ser considerada uma das causas da guerra.
Nesse período se formaram dois blocos de países com fins políticos e militares: de um lado a Tríplice Aliança com Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha; de outro, a Tríplice Entente, com a França, Rússia e Reino Unido. Em 28 de julho de 1914, durante uma visita a Saravejo, foi assassinado o príncipe do império austro-húngaro Francisco Ferdinando, o que precipitou uma declaração de guerra desse império contra a Sérvia, provocando o envolvimento dos dois blocos.
Em 1917 ocorreu um fato decisivo: a entrada dos Estados Unidos no conflito ao lado da Inglaterra e França, o que acabou forçando os países da Aliança a assinarem a rendição e o Tratado de Versalhes, que lhes impôs fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdendo algumas regiões de influência, além de ter que pagar os prejuízos da guerra. Todos estes fatos provocaram um clima de revolta na Alemanha, influenciando o que viria a ser a Segunda Guerra Mundial.
Essa guerra provocou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.

Segunda grande guerra mundial – 1939 a 1945

Durante a década de 1930 surgiram na Europa governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas, influenciados pelos resultados da 1ª guerra. Na Alemanha o nazismo, liderado por Hitler, pretendia expandir o território Alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes e reconquistando territórios perdidos. Na Itália crescia o Partido Fascista, liderado pelo Duce - Benito Mussolini - com poderes sem limites. Havia uma série crise econômica, agravada pela grande depressão, iniciada com a queda das bolsas em 1929, deixando milhões sem emprego. Uma das soluções desses governos foi a expansão das indústrias de artefatos de guerra. Na Ásia, o Japão também possuía forte desejo de expansão geográfica. Estes três países uniram-se e formaram o Eixo, um acordo com fortes características militares.
O estopim da guerra foi a invasão da Polônia pela Alemanha em 1939, fazendo com que a França e a Inglaterra lhe declarassem guerra. Novamente se formaram dois grupos: Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ). A maioria das nações do mundo acabou se envolvendo, o que levou à guerra mais sangrenta da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados e um massacre contra civis, incluindo o Holocausto, duas bombas nucleares e mais de setenta milhões de mortos.

Neste contexto é possível a esperança?!!!

Qualquer guerra é um drama para milhares de pessoas, porém é possível vislumbrar sementes de paz, através da ação ou iniciativa de pessoas comuns. Vamos conhecer algumas desse período:
Maximiliano Kolbe ( 1894 a 1941). De origem polonesa, Franciscano desde 1907, foi editor de uma revista católica que chegou a um milhão de exemplares. Chegou a instalar uma emissora de rádio e foi missionário no Japão, estando em Nagasaki de 1930 a 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2.000 judeus. Em 1941 é preso pela Gestapo e depois transferido para Auschwitz. Numa ocasião um homem do bunker de Kolbe foge e como represália os nazistas o enviam para uma cela isolada com outros dez prisioneiros para morrer de fome e sede. Um dos dez lamenta-se pela família que deixa, dizendo que tinha mulher e filhos e Kolbe pede para tomar o seu lugar. O pedido é aceito e o padre Kolbe aceita o martírio, procurando dar assistência àqueles pobres condenados. Duas semanas depois, só quatro sobrevivem, incluindo Kolbe. Os nazistas decidem executá-los com uma injeção de ácido.

Oskar Schindler foi um industrial tcheco. Ao comprar em 1939 uma fábrica de esmaltados quase falida na Polônia dominada pela Alemanha de Hitler, usou suas boas relações com altos funcionários nazistas, para recrutar trabalhadores entre prisioneiros judeus do gueto da Cracóvia, passando a fornecer produtos para o exército alemão. Quando os nazistas iniciam a "solução final" (execução em massa dos judeus), Schindler intercede junto ao comandante Amon Goeth, subornando outros oficiais e garantindo tratamento diferenciado para seus operários, salvando-os dos campos de extermínio.

Chiara Lubich. Nasce em 1920 em Trento, norte da Italia, no período entre as duas guerras. Tendo como origem uma família humilde, o pai de Chiara perdeu o trabalho por defender idéias socialistas e por isso a família teve de encontrar outras ocupações. Chiara dava aulas particulares e estudava filosofia na Universidade de Veneza, pois procurava a verdade profunda das coisas. Enquanto tudo desmoronava ao seu redor, descobre que Deus era para ela o único ideal que não passava. Divide então esta descoberta com outras companheiras e juntas formam um pequeno grupo, constituindo assim o primeiro núcleo de um movimento que se expandiria por muitos países. Em 1943 se consagra a Deus, período considerado o marco inicial do movimento que ficou conhecido mais tarde como Focolares, que pode ser traduzido como “lareira” em italiano e que simboliza o calor do aconchego do lar, de pessoas que se amam e se querem bem.
Sua casa foi destruída por um violento bombardeio, o que obrigou seus familiares a se refugiarem nas montanhas. Chiara deu um passo decisivo decidindo permanecer em Trento com suas companheiras, fiel ao que lhe pareceu a vontade de Deus para ela.
Mesmo passando por grandes dificuldades viviam intensamente, procurando ajudar os mais necessitados, mesmo se não tinham quase nada. Muitas vezes tinham que correr para o refúgio e a única coisa que levavam era o evangelho, que se tornou para elas uma grande luz. As frases lidas procuravam colocar logo em prática: “amai-vos uns aos outros...”, “perdoai vossos inimigos...”. A certeza de que Deus as ama imensamente se tornou um marco na vida dos que aderem a esta espiritualidade.
Um dia um pobre lhe pede um par de sapatos nº 42. Elas não tinham, mas confiaram a Deus que lhes ajudassem. No mesmo dia, ao saírem de uma igreja, uma senhora lhes ofereceu um par de sapatos 42. Coincidência?
Muitíssimos outros fatos, “coincidências”, aconteceram e aos poucos outras pessoas, de todos os tipos, se juntavam a esse grupo. Tinham como principal objetivo viver o amor e a caridade recíproca e apreenderam a ver nos muitos momentos de dor um aspecto ou uma face do homem-Deus, Jesus, que deu sua vida pela redenção dos homens.
Com o crescimento e estruturação desse movimento brotaram ramificações, como numa grande árvore: consagrados (virgens e casados), famílias, jovens e crianças (Gen: geração nova), voluntários (pessoas comprometidas em viver esta espiritualidade em seu ambiente de trabalho), padres, religiosos (as) e bispos. O movimento é aberto e procura dialogar em quatro níveis: com outros movimentos católicos, com cristãos de outras denominações, com fiéis de grandes religiões e com pessoas sem um referencial religioso, mas que valorizam o bem e a fraternidade.
Chiara faleceu em março 2008 e deixou um legado rico em espiritualidade, mas também com várias iniciativas concretas de penetração desse espírito de fraternidade na sociedade, tais como: na economia com o projeto de Economia de Comunhão com mais de 800 empresas engajadas, na política com políticos de diversos partidos comprometidos com a ética e o atuar juntos em projetos de interesse da sociedade.
Chiara ganhou ainda em vida muitos títulos honoríficos e comendas de diversos países. Aqui no Brasil foi agraciada com a ordem do Cruzeiro do Sul. O vídeo abaixo dará uma pequena idéia de quem foi essa grande mulher dos tempos modernos.

Um comentário:

  1. Marcio, achei muito legal você:

    - contextualizar Chiara Lubich entre as grandes figuras que representaram esperança naquele período; com isso penso que você contribuiu com o objetivo, que disse ter, de apresentar o Ideal da fraternidade, proposto por Chiara, de forma mais aberta

    - importante também ter contextualizado a época historicamente

    - pergunto-me se não vivemos, hoje, um período semelhante àquele no que se refere ao desencanto com as conquistas da modernidade a saber, entre outras: a eficiência da tecnologia e da técnica; os ideais (secularizados) da Revolução Francesa – liberdade, igualdade, fraternidade; a ética kantiana que, destituída da misericórdia ( inclusive, automisericórdia) parece um fardo tão difícil de suportar.

    - diria até que temos uma desvantagem com relação àquela época por estar mais desenvolvida a “cultura da mídia” que faz com que – em alguns ambientes seletos – pareça tudo tão perfeito e inquestionável que nos envergonhamos de sofrer; não haveria, portanto, o que questionar, para desespero ou acomodação, entre outros, de quem foi idealista nos 1960/70

    - porém, NÃO!! Está tão perto o Haiti que grita; estão muito próximas as mães adotivas que torturam; os padres pedófilos e todos os demais pedófilos; a violência sumária no trânsito; entre tantos gritos que sabemos, eu e você, serem um só grito, O Grito.

    - portanto, temos muito a sofrer, a esperar (você fala de esperança no título do seu artigo), muito a Amar, e por isso eu te sou enormemente grato por esse texto que me estimula na direção do Amor, que é sempre – não esqueçamos – Ágape e Eros.

    - concluo com uma reflexão sobre o ato de escrever nas mídias sociais, mais especificamente sobre o tamanho, tanto do teu artigo, quanto desse meu comentário, textos longos; será que estamos ultrapassados ao dedicar tempo a textos assim, longos, na época da “twitteratura”, a ditadura (diriam os dramáticos) dos 140 toques?; questão existencial para mim, que vivo disso...

    Grande abraço!
    Marcello

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